
Nasce o Cine Apipucos
Com sessões gratuitas, sessões ao ar livre fazem do parque um cinema com área de convivência cultural
Por Luiz Joaquim | 20.02.2026 (sexta-feira)
– com informações da assessoria do Cine Apipucos
Já já, a partir a quinta-feira (26/2), o recifense ganha um novo espaço para desdobrar o seu prazer pelo cinema. E gratuito. É quando nascerá publicamente o projeto Cine Apipucos, com sessões semanais gratuitas de cinema. A agenda prevê uma sessão noturna, de quarta-feira a sexta-feira, e uma sessão à tarde nos sábados e domingos. Como fazer para acessar às sessões? É só chegar no Parque Apipucos, Zona Norte do Recife, e se acomodar na estrutura que a empresa Viva do Brasil, responsável pelo empreendimento, está montando com almofadas e cadeiras em formato de plateia. Tudo ao ar livre e pensado para a permanência confortável do público ao longo da noite.
Esta semana inaugural dará acesso ao público apenas na quinta-feira (27), pois a quarta-feira (26) está reservada para uma sessão fechada de apresentação do projeto com a exibição de um filme inédito. Durante as sessões, o espaço contará com operação do Cine Feira, com expositores oferecendo opções de alimentação para compra no local. A consultoria de programação dos filmes é deste que aqui escreve, Luiz Joaquim, e o projeto Cine Apipucos conta com o patrocínio de Vitamilho e da Palmeiron (Grupo ASA).
A programação inaugural do Cine Apipucos irá oferecer gratuitamente um passeio pautado no melhor da cultura pernambucana por meio do nosso cinema. Frevo, Manguebit, o Maracatu Rural e uma revisão sobre os primeiros filmes de Kleber Mendonça Filho estão na agenda. No caso, o documentário Manguebit, de Jura Capela, ganha exibição especial e antecipada, às 16h30 do sábado (28) no Cine Apipucos antes de chegar ao circuito comercial, no qual estreia apenas no final de março.
Ao longo das próximas semanas, outras obras brasileiras e de todo o mundo irão brilhar na tela gigante instalada no Parque de Apipucos, entregando aos seus frequentadores humor, romance, suspense e ação. As crianças também terão o seu espaço, seja com títulos já consagrados ou aqueles que merecem uma divertida revisão com toda a família.
Com o Cine Apipucos, surge um novo endereço regular para encontros culturais ao ar livre.
Confira a programação e leia sobre os filmes em cartaz, repetimos, gratuitamente, entre quinta-feira (27) e domingo (1º/3).
programação /
Quinta (26/2) – 19h30 – Frevo Michiles (1h25, Livre, Doc. musical)
Sexta (27/2) – 19h30 – Azougue Nazaré (1h20, 14 anos, Comédia)
Sábado (28/2) – 16h30 – Manguebit (1h41, Livre, Doc. musical)
Domingo (1º/3) – 16h30 – Kleber Mendonça Filho : Curtas-metragens (duração – 1h, 12 anos)
Menina do Algodão (8’) / Vinil Verde (13’) / Recife Frio (24’) / Noite de Sexta, Manhã de Sábado (15’)
Sobre os filmes
Frevo Michiles
(2023, 10 anos, 1h25, Vilarejo Filmes, DCP)
direção Helder Lopes
elenco Jota Michiles, Michelle de Assumpção, Alceu Valença, Maestro Spok, Edson Cavalcanti, Edson Rodrigues.
sinopse – Há poucos dias, durante o carnaval pernambucano, se você não estava cantando, então estava fatalmente ouvindo alguma das composições de José Michiles da Silva, ou apenas Jota Michiles. Autor de canções icônicas, principalmente na voz de Alceu Valença, como Diabo louro e Roda e avisa, Michiles foi responsável por uma pequena revolução musical ao longo de sua trajetória. O diretor Helder Lopes é certeiro na maneira como nos aproxima desse talento pernambucano, nos colocando lado a lado do que lhe é mais precioso na vida: o carnaval e a família.

Imagem de “Frevo Michiles”
Azougue Nazaré
(2018, 14 anos, 1h20, Comédia, DCP)
direção Tiago Melo
elenco Valmir do Côco, Joana Gatis, Mestre Barachinha, Edilson Silva, Mohana Uchôa.
sinopse – Na primeira semana deste mês de fevereiro, a imprensa brasileira festejava a presença do filme Yellow Cake, do pernambucano Tiago Melo, como o único representante brasileiro a concorrer ao Tigre de Ouro no Festival de Roterdã, um dos cinco mais influentes do mundo. Tiago não estava estreando em Roterdã, brilhou por lá em 2018 com o seu debut num longa-metragem – Azougue Nazaré. Dono de uma sensibilidade ímpar para se apropriar do que há de belo Zona da Mata Norte pernambucana para transformar tudo num cinema envolvente, divertido e reflexivo, o diretor apresenta em Azougue… o conflito de Catita (Valmir do Côco, impagável) – feliz com a brincadeira de viver ‘Catirina’ no maracatu – e o da sua esposa protestante, a Irmã Darlene (Joana Gatis), para quem a brincadeira é coisa do demônio. Entre o folguedo e as disputas de poesias feitas pelos jovens via WhatsApp, Tiago Melo vai nos apresentando também uma Nazaré da Mata moderna e, ao mesmo tempo, firme em suas raízes culturais.

Cena de “Azougue Nazaré”
PRÉ-ESTREIA – Manguebit
(2022, Livre, 1h41, Doc. musical, DCP)
direção Jura Capela
elenco Cannibal Santos, Carlos Eduardo Miranda, Charles Gavin, Fábio Trummer, Fábio Massari, Fred 04, Jorge Du Peixe, Jorge Mautner, Karina Buhr, Lírio Ferreira, Lirinha, Lúcio Maia, Mestre Meia Noite, Otto, Ortinho, Paulo Caldas, Paulo André, Roger de Reno, Rogério Rogerman, Renato Lins, Siba Veloso, Toca Ogan, Xico Sá.
Manguebit, movimento musical e estético que nasceu na nossa terra nos anos 1990 mudou a visibilidade das periferias e das manifestações culturais da região metropolitana do Grande Recife, colocando na rota do mercado musical mundial, após o lançamento de bandas como Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. Manguebit, o filme, experimenta a liberdade do pensar do mangue por meio de uma linguagem multifacetada, que reúne ideias e ideias, refletindo a ousadia que deu vazão ao grande símbolo do movimento: ‘Uma antena parabólica enfiada na lama dos estuários’. Este documentário de Jura Capela teve exibição no Recife durante o festival In-Edit e chegará às salas de cinema de todo o Brasil apenas no final de março.

Cena de “Manguebit”
Kleber Mendonça Filho : curtas-metragens
Menina do algodão (8’) / Vinil verde (13’) / Recife frio (24’) / Noite de sexta, manhã de sábado (15’).
(duração total: 60 minutos, 12 anos)
No princípio havia o curta-metragem e Kleber Mendonça estava lá com a mesma competência que esbanja no seu mundialmente aclamado O agente secreto. A sessão propõe uma revisão (ou, para alguns, a descoberta) de alguns curtas de Kleber que o ajudaram a refinar o seu talento. Por estes pequenos-grandes filmes, os espectadores poderão reconhecer a precisão e sutileza narrativa do cineasta mescladas ao humor cáustico e as beliscadas sociais que marcam também seus longas-metragens posteriores. Em Menina do algodão, codirigido com Daniel Bandeira, temos um experimento cinematográfico sobre outra lenda urbana recifense (que não é A Perna Cabeluda). Já em Vinil verde a lenda trabalhada é ucraniana, imprimindo um belo discurso sobre a relação ‘mãe e filha’. Por Recife frio, sua obra-prima na categoria dos curtas, vemos uma trela do clima recifense para refletirmos, divertidamente, sobre alguns valores sócio-culturais que tanto prezamos. Já em Noite de sexta, manhã de sábado, acompanhamos um romance em crise, amarrado por uma frágil ligação de celular entre um recifense e uma ucraniana.

Imagem de “Recife Frio”















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