
O Frio da Morte
Um dia frio, um bom lugar para correr perigo…
Por Renata Malta | 18.02.2026 (quarta-feira)
Chega aos cinemas amanhã (19), O frio da morte (Dead of Winter, EUA/Alem./Can., 202), suspense com direção de Brian Kirk. No enredo, Emma Thompson interpreta Barb, uma viúva que se perde em uma nevasca nas estradas de Minnesota e acaba esbarrando em uma situação perturbadora: um casal mantém uma jovem sequestrada em uma cabana.
O filme tenta inovar a estrutura do clichê “uma mulher em uma cabana” com uma protagonista idosa muito habilidosa (chega de jovenzinha de regata branca correndo por aí!). À medida que Barb tenta ajudar a garota a se libertar, sua própria história se desenrola em flashbacks que elucidam o motivo de sua viagem até o Lago Hilda.
A vovozinha empenha-se na promessa de libertar a Chapeuzinho dos lobos e, em meio à correria de tiros, recorda aconchegantes momentos compartilhados com o falecido marido, Karl, na paisagem congelante. Muitas vezes, um tanto fora de hora, as cenas do passado tentam justificar as habilidades da senhora, que cria armadilhas no gelo, explode carro, arromba porta e costura um buraco de bala no próprio braço com um anzol. “É só uma colcha”, diz ela enquanto remenda o machucado.

Barb (Thompson) encara qualquer problema
Em uma sequência, a protagonista coloca a lente dos óculos próxima à pequena tela verde de um celular “tijolão” para enxergar o aviso “sem sinal”, na tentativa de conseguir ajuda. A cena é bastante simpática, mas O frio da morte não é um suspense memorável.
Conforme o filme avança, entendemos os motivos delirantes que levaram o casal a raptar a garota, e a história do casamento perfeito de Barb e Karl parece querer aplicar uma lição ao relacionamento dos vilões, recheado de toxicidades, manipulações e violência.
O encontro das três mulheres (Barb, Leah e a mulher de roxo) apresenta perspectivas sobre vida e morte: a incerteza, a vontade desesperada de viver e o luto. Em um diálogo da veterana com a sequestrada, Barb tenta convencer Leah de que a lição da vida é sempre seguir em frente, nunca desistir, pois o destino pode surpreendê-la. Mas a real lição deste filme parece ser: já começou sua poupança de músculos?
É inegavelmente ótimo enxergar novos tipos no cinema. Há muitas décadas a ação não é um problema para os “coroas” do gênero masculino. Parece se desenrolar um momento de abertura para personagens femininas mais velhas e suas aventuras. É impossível não destacar O último azul, do diretor Gabriel Mascaro, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2025. Esse, sim, um grande filme.















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