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Festivais

31ª Mostra SP (2007) – abertura

Prazer e pensamento crítico fundamentam a Mostra

Por Luiz Joaquim | 17.10.2007 (quarta-feira)

Após o furacão cinematográfico chamado Festival do Rio, começa amanhã o tufão Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em sua 31ª edição, projeta mais de 400 filmes até primeiro de novembro em 19 salas espalhadas pela mais populosa cidade do País. Pode se dizer que é também a cidade mais “bem educada” cinematograficamente. Três décadas de existência da Mostra SP está intrinsecamente relacionado a essa formação do espectador paulistano.

Amanhã à noite, o argentino mais brasileiro de nossa cinematografia, Hector Babenco, abre o evento com seu “O Passado”, drama no qual Gael Garcia Bernal e Analía Couceyro vivem o tema da relação amorosa pela perspectiva da separação e da memória. Na segunda-feira, a Folha de PE publica entrevista exclusiva com a equipe de “O Passado”. Gael, presente no evento, ainda participa com os títulos “Déficit”, como diretor; em “Cochoci”, como produtor; e atuando em “Sonhando Acordado”, de Michel Gondry.

Entre os módulos da Mostra, está a seção ‘Perspectiva Internacional’, que reúne o melhor da produção de diretores veteranos e a seção ‘Competição’, que abarca os diretores estreantes no primeiro ou segundo longa-metragem. Há ainda a ‘Retrospectivas’ e a seleções de grandes diretores, além de exibições especiais com acompanhamento cênico ou musical, lançamento de livro, debates e uma grande lista de convidados internacionais.

Um grande nome homenageado é Jia Zhang-Ke, maior nome atual do cinema chinês. Outra celebridade é a revelação francesa Jean-Paul Civeyrac. Ambos ganham retrospectiva de sua produção. Não menos importante, é o veterano Claude Lelouche, premiado no Oscar e em Cannes (“Um Homem, Uma Mulher”, 1966), o cineasta terá uma seleção especial na mostra com seus filmes. A Mostra promove também debate sobre a crítica de cinema, e terá como base o pensamento do mitológico editor da revista “Cahiers du Cinéma”, Serge Daney, nos anos 70, falecido em 1992.

Jia Zhang-Ke, é um feroz crítico da globalização tendo já levado o Leão de Ouro em Veneza por “Em Busca da Vida”. e o documentário “Inútil”, prêmio de melhor documentário também em Veneza, na Mostra Horizontes 2007. O filme fala sobre o trabalho da estilista chinesa Ma Ke e o irônico caminho percorrido pelas roupas no mundo globalizado, daqueles que a produzem até aqueles que as vestem.

Nos debates sobre o papel da crítica no a condução acontece pelas mãos do crítico e escritor Serge Toubiana, diretor da Cinemateca Francesa, do Museu do Cinema de Paris e autor de “Truffaut: Uma Biografia”. Jean-Michel Frodon, atual editor dos “Cahiers”, dará dicas apontando, dentro da seleção da Mostra, quais filmes seguem o pensamento e as coordenadas estéticas e filosóficas deixadas por Daney.

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