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Críticas

Os Sem-Floresta

Adorável aventura no quintal vizinho. Nascem novos vários heróis – para adultos e crianças.

Por Luiz Joaquim | 11.07.2016 (segunda-feira)

07-maio-2006

LUIZ JOAQUIM

Poucos sabem mas o guaxinim RJ e a tartaruga Verne, as
duas -estrelas- de “Os Sem-Floresta” (Over The Hedge,
EUA, 2006), nasceram em 1995. Desde então, a história
dos dois amigos, escrita por Michal Fry e ilustrada
por T. Lewis, figuram em tirinhas de quadrinhos com
sucesso nos EUA, cujas piadas giram em torno das
observações que os dois fazem sobre os humanos. O
pensamento mestre que rege as piadas ácidas sobre a
nossa socieade de consumo é a seguinte: “Eles (os
humanos) comem para viver, nos (os bichos) vivemos
para comer”.

A versão que chega ao cinemas hoje não é diferente;
aliás, é melhorada. Em parceria na direção com Tim
Johson (de “Forminguinhaz”), o roteirista de Karey
Kirkpatrick (do excelente “A Fuga das Galinhas”) criou
para o longa da DreamWorks Animation uma fábula
inspirada pela perspcácia e sintonia com o mundo
moderno, ou ainda, com o cinema moderno. Isso porque
percebe-se no roteiro um tratamento próximo àqueles
dados aos de uma produção com personagens e cenário
reais, em tempos, timing, real. Daí o interessante
aqui, entre outras sutilezas. Em termos técnicos, a
animação não vai além do que já foi visto em obras
recentes da categoria, e isso não é pouco.

Com bichinhos fofos o suficiente para fazer a
criançada querer adotar e ter um igual para brincar em
casa, e com tiradas aguçadas e sarcásticas para
satisfazer a sensibilidade do adulto atento e
culturalmente antenado, “Os Sem-Florestas” tem
potencial e estofo para se tornar o arrasa-quarteirão
do ano entre as animações. Não seria espantoso se
vier, inclusive, a superar o recente “A Era do Gelo
2”, da concorrente Fox Animations, que levou mais de 4
milhões de brasileiros às telas neste ano.

“Os Sem-Floresta” ganha crédito com os pais pelo graça
que faz com o absurdo relacionado às próprias
idiossincrassia individualista dos adultos. No trailer
que veiculava há até pouco tempo, o cauteloso Verne
(voz de Garry Shandling), referindo-se a uma enorme
caminhonete perguntava ao atirado RJ (voz de Bruce
Wilis): “Quantos humanos cabem aí dentro”; e ouvia a
resposta: “hamm, apenas um”.

Fãs de cinema também irão se deliciar com as
referências à clássicos como “Cidadão Kane” e “Um
Bonde Chamado Desejo” (1947), “Super-Homem” (1978),
além da brincadeira apropriadíssima com a vinheta THX.
Para uma situação que pede silêncio, nada melhor para
fazer humor ressaltando e distribuindo o alto e bom
som arquitetado por George Lucas.

Paras as crianças, a mensagem, diluída na aventura de
RJ, Verne e sua turma, é rica. Abraça desde questões
ecológicas, tira sarro com o consumismo (“bastante
nunca é o bastante para os humanos”), suscita o
companheirismo, a superação e a fidelidade até chegar
ao núcleo de tudo: a família.

O prólogo de “Os Sem-Floresta” já é bem
representativo, em termos de estilo, para o que está
por vir em todo o filme. Mostra o pequeno RJ tentando
pegar uma saco de batatas fritas de uma máquina
gigante. A sequência é silenciosa, discreta, inventiva
e extremamente divertida. Na continuidade, o guaxinim
se mete em encrencas com o urso Vincent (voz de Nick
Nolte) exatamente pela gula e forma uma dívida.

Para cumprir a pena, tenta ludibriar Verne e sua
incomum -família- formada pelo hiperativo esquilo
Hammy (voz de Steve Carrel, de “O Virgem de 40 Anos”),
o furão Ozzie (Willian Shatner) e sua filha (Avril
Lavigne), a gambá Estela, e o casal de porco-espinhos
com seus três filhotes. O grupo acabou de acordar da
hibernação junto com a chegada da primavera e precisam
juntar comida para o próximo inverno. Mas só o
suficiente. RJ, entretanto, apresenta ao grupo as
facilidade e o prazer dos excessos em comida no mundo
dos humanos e, com a finalidade de sanar sua dívida,
os convence a estocar muito mais do que precisam.

Começa então um jogo de sedução no qual a cautela de
Verne o hedonismo de RJ duelam. O filme mostra que
excesso nenhum é benéfico e busca o equilíbrio entres
as duas posturas, quando torna os dois líderes amigos
em prol da família.

Todos os bichos têm seu espaço em “Os Sem-Floresta”,
mas não se questiona o prazer que dá quando o
esquilinho Hammy, com sua inocência e bom coração
sempre disposto a ajudar o grupo, aparece na tela. E
ele, inclusive, a peça-chave no momento mais crítico
da trama. Alucinado, lembra o esquilo de “Era do
Gelo”, mas leva vantagem contra o concorrente pois tem
mais personalidade quando esfrega as mãos e arregala
os olhos ao ver comida. Uma simpatia.

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