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A hipocrisia do mundo em graça riscada

Novos livros de Sieber e André Dahmer no mercado

Por Luiz Joaquim | 10.10.2007 (quarta-feira)

É clássica a maneira marginalizada como cartunistas ou quadrinistas brasileiros são tratados no mercado. Vez por outra surge uma edição digna, em forma de coletânea, para nos lembrar que temos grandes cronistas do traço despejando tirinhas inspiradas nos jornais e/ou na internet. É o caso de “Mais Preto no Branco”, de Allan Sieber, e “O Livro Negro de André Dahmer”, ambos publicados pela editora Desiderata e com o preço atraente de R$ 19,90.

Chama estes dois de artistas pode ser perigoso para quem os chama assim, pois dependendo da boca de quem sai o elogio (ou como sai), o elogio pode virar mote de uma piada na ponta da caneta da dupla. Aguçados para o mundo e para o próximo, o mote deles é a desolação e solidão humana, e a hipocrisia que domina o mundo. A auto-depreciação também está roda das piadas.

Apesar das semelhanças, tanto no talento quando na inspiração crítica (inclusive nas piadas etílicas e com as mulheres, claro), Sieber guarda mais crueza no traço (e tira graça disso), enquanto Dahmer tem linhas precisas e econômicas. E, como diz Jaguar na introdução de Dahmer, “a maioria de suas tiras, cada uma com três quadros no máximo, funciona como um cartum independente”.

Já Sieber não esconde os balões carregados com muito texto (e faz graça disso também). Seus traços disfarçados de preguiçosos ou tosco, têm, na verdade uma personalidade forte que combina em ajustada comunhão com seus personagens tidos como chatos (sendo o próprio Sieber um deles) mas, na verdade, críticos ferozes da mediocridade reinante.

Dahmer, que ficou bem conhecido com o projeto “Malvados” na internet (www.malvados.com.br), cujas plantinhas não perdoavam nada com suas observações irônicas, é um observador tenaz das veleidades do homem. Isto aparece tanto na série “União Brasileira dos Moralistas de Fachada”, ou em “Apóstolos”, no qual o Cristo não é tão clemente nas respostas que dá às perguntas imbecis dos pecadores.

Ler Sieber e Dahmer faz rir e refletir. Poucos conseguem, com êxito, montar humor (sem ser raso) com o desespero da condição humana em diversos níveis, sociais e pessoais. São combinações nobres que, tal qual destacou Fausto Woff no livro de Sieber, fará através dela, “ver a marca do artista, do jornalista, do humorista e do poeta”.

SERVIÇO:
“O Livro Mágico de André Dahmer”
“Mais Preto no Branco”, de Allan Sieber
Editora Desiderata
Preço unitário: R$ 19,90

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