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Críticas

O Longo Amanhecer – Uma Cinebiografia de Celso Fur

O Quixote da economia

Por Luiz Joaquim | 20.03.2008 (quinta-feira)

Como analista cinematográfico, nunca é tarefa fácil resumir em pouca linhas o volume de idéias concentradas num discurso proferido por personagens num documentário. Além disso, e não menos importante, é preciso discernir se os mecanismo da linguagem audiovisual estão aqui a favor ou contra os discursos apresentados.

Para discutir “O Longo Amanhecer – Uma Cinebiografia de Celso Furtado” (Brasil, 2006), que estréia hoje no Cinema da Fundação (Recife), é preciso colocar um terceiro ingrediente, também complicador, dentro de um processo crítico, que é a avaliação do pensamento do economista e humanista Furtado (1920-2004) por um grande número de depoentes no filme não menos brilhantes em suas recordações e percepções da importância do biografado para o desenvolvimento do país.

Logo no início do filme, o economista Francisco de Oliveira já dá o tom sobre quem o documentário se proprõe a falar: “coloco Celso Furtado no panteão dos demiúrgos do país, ao lado de gente com Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda”; para logo depois Maria da Conceição Tavares reforçar que só Furtado conseguia combinar sua infinita capacidade intelectual com a mesma desenvoltura de administrar politicamente onde se podia chegar para desdobrar um projeto desenvolvimentista dentro de seu conceito de nação para o Brasil.

Conceição Tavares ainda destaca que foi Furtado quem lançou um pensamento original dentro da realidade econômica nacional no pós-guerra, desvinculando-se da doutrina econômica predominante e lançado as idéias fundadoras sobre desenvolvimento e subdesenvolvimento.

A preocupação deste paraibano, autor de obras norteadoras como “Formação Econômica do Brasil” (1959), com o Nordeste também é descatado no filme por especilistas como Antônio Barros de Castro, José Israel Vargas e Ricardo Bielschowsky. Partindo da sua avaliação inicial sobre a seca até a criação desafiadora da Superintendência do Desenvolvimento do NE (Sudene) no governo JK.

Mariani, que é professor de cinema na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, já declarou abertamente que faz aqui um filme pro-Celso Furtado, e como ele próprio diz, não vê nenhum problema nisso. “O Longo Amahecer” trás consigo uma combinação de imagens de arquivos pessoas da família do biografado e depoimentos do próprio Furtado, captados quatro meses antes de seu falecimento em 2004, que iluminam as falas dos outros depoentes.

O filme pode ser visto por um alguns como uma obra árida e dura, mas cumpre uma função crucial dentro de nossa cinematografia, que é a de resgatar valores sérios, através de figuras geniais geradas por um pais que as colcocam no esquecimento pela simples ignorância sobre nossa própria história.

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