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Festivais

Mostra Alain Resnais no Apolo (Recife)

Tesouros de Resnais no Apolo

Por Luiz Joaquim | 15.12.2008 (segunda-feira)

Em fevereiro deste ano, o Cine Rosa e Silva mostrou a seus espectadores “Medos Privados em Lugares Públicos” e eles puderam se encantar com uma trama contemporânea sobre amores e solidão. É provável que alguns desses espectadores nem tenham feito a relação entre o diretor do filme, Alain Resnais, com a história do cinema francês no século 20. Se estes mesmo espectadores forem ao Cineteatro Apolo, de hoje a sexta-feira, conferir a Mostra Alain Resnais – com dez de seus filmes -, cortinas irão se abrir não só para a história do cinema, mas para a história da humanidade e da arte.

Com cópias em 35mm vindas da Cinemateca do Consulado da França no Rio de Janeiro, o curador do Apolo, Ernesto Barros, oferece a oportunidade de (re)vermos títulos raros de Resnais que o apresentaram ao mundo como o mestre que é, e que também resgatam, a partir da 2° Guerra Mundial, como o homem pode ser estúpido em sua ganância.

Para a abertura de hoje estão programados os documentários “Guernica” (1950), a partir da obra homônima de Picasso; “Toda a Memória do Mundo” (1956); “O Canto do Estireno” (1958); e o impressionante “Noite e Neblina” (1955). Pausa para este último título.

Realizado em apenas uma década após o fim da cruzada para exterminar os judeus na Europa, a obra nasceu de um convite do Comitê da História da Segunda Guerra Mundial. O objeto aqui, claro, é o holocausto, tema já estropiado por Hollywood, e outras cinemas, mas poucas vezes com êxito em alertar contra a estupidez do nazismo e, mais, contra estupidez que pode voltar a acontecer. É difícil transcrever o poder de perturbação das imagens disponibilizadas aqui, em combinação com a “doçura aterrorizante” adotada pelos autores, como disse Truffaut uma vez.

Também hoje (20h10), a ficção “Hiroshima Mon Amour” (1959). Cm roteiro da romancista Marguerita Duras, o filme é celebrado como uma das mais felizes combinações entre imagens e palavras. Palavras que completam o sentido do que se vê, e vice-versa, criando um terceiro sentido que não funcionaria em separado dessa fundição de signos. A história concentra-se nas lembranças de um casal sem nome (Emmanuelle Riva e Eiji Okada). Ela, uma atriz rodando um filme sobre a paz em Hiroshima. Ele, um arquiteto que perdeu a família para a bomba.

Ainda na programação “O Ano Passado em Marienbad” (1961), “Muriel” (1963), Stavisky ou o Império de Alexandre” (1974), “Meu Tio da América” (1980). E como se não bastasse, a sala toca pela segunda semana “Moloch” (1999) de um outro mestre, este russo, chamado Aleksandr Sokurov. Este filme, um estudo da vida cotidiana de Hitler com Eva Braun, exibe hoje às 16h10, amanha às 18h10, quarta, às 18h20 e quinta e sexta-feira às 18h.

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