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Festivais

16a Tiradentes (2013) – noite 7

Documentando personagens em Tiradentes

Por Luiz Joaquim | 26.01.2013 (sábado)

TIRADENTES (MG) – Parecia uma ironia da curadoria da 16a Mostra de Cinema de Tiradentes a exibição seqüenciada, na noite de quinta-feira, dos longas-metragens “Nas Minhas Mãos eu Não Quero Pregos”, da mineira Cris Ventura, e “Os Dias do Ele” (SP), de Maria Clara Escobar, ambos do segmento competitivo Aurora.

Enquanto o primeiro é um registro tosco (não há melhor palavra) do ponto de vista visual, sonoro e narrativo sobre o artista plástico Maurino de Araújo, de Minas Gerais, o segundo é um sofisticado busca pela identidade feita pela diretora a partir de conversas em Portugal com seu pai, o dramaturgo, intelectual comunista torturado na ditadura militar, Carlos Henrique Escobar.

Sem falar sobre o assunto desde que passou a morar na Europa, Escobar coloca no filme suas opiniões fortes, condimentadas não só por indignação, mas também humor que Maria Clara soube otimizar no contexto do filme.

Em poucos minutos, “Os Dias com Ele” conquista o espectador pela simples sedução do personagem que tem como recurso apenas uma câmera a sua frente e sua capacidade de discursar com eloquência e clareza. Aos poucos, Escobar vai interferindo na própria concepção de feitura do filme e questionando as razões de existir do documentário.

“Este filme é sobre eu ou sobre você?”, questiona o pai, que na busca de Maria Clara com seu filme insiste em dizer explicitamente que, com essa obra, quer entender as lacunas deixadas pela Ditadura e pela separação dos dois.

No processo de feitura, e isto está claramente exposto na tela, as situações invertem e as questões de identidades de um, do outro, ou dos dois, agora se fundem. Nesse cenário humano, as cenas que Maria Clara procura fora do teatral Escobar revelam não só o homem, como também uma estratégia narrativa que aponta para várias direções do documentário contemporâneo.

Desde já, “Os Dias com Ele” é um dos melhores filmes de 2013, problematizando identidade, família, política e a vida, cuja importância, ou desimportância, são relativizadas pela inteligência de pai e filha juntos se (re)descobrindo. Em uma palavra, lindo.

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