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Celso 90

Aos 90 anos, o jornalista, crítico e realizador ganha biografia escrita por Luiz Joaquim, pela Cepe.

Por Luiz Joaquim | 20.08.2020 (quinta-feira)

Num depoimento para um vídeo postado no canal do YouTube do Leituras brasileiras, uma das cabeças mais iluminadas que refletiu (e reflete) sobre o cinema brasileiro – Jean-Claude Bernardet – destacou uma situação que lhe ocorreu ao sair da sessão do filme Jogo de cena, de Eduardo Coutinho. Em resposta à pergunta sobre o que ele tinha acabado de ver, feita por uma pessoa conhecida que encontrou ele ali, ainda no hall de entrada da sala, Jean-Claude respondeu: “eu… não sei”.

Jean-Claude, na verdade, falava de si próprio, e não do filme. O intelectual percebeu, naquele instante, uma dissolução total da possibilidade de expressar verbalmente sua própria subjetividade, uma vez que – se deu conta: os relatos que fazemos são autônomos. Impactado, Jean-Claude pensou consigo: “Eu não tenho como contar a minha vida”.

De fato, narrar algo possui uma vida própria, ainda que você seja o responsável pelo seu ponto de partida. Narrar a vida de uma pessoa então, e colocá-la num livro, é por si só um projeto fracassado se considerarmos também a impossibilidade de síntese plena. Colocar no livro a vida de um jornalista, crítico de arte, realizador, curador cinematográfico e professor como Celso Marconi (além do homem que está por trás dessas referências sócio-profissionais), completando 90 anos neste 23 de agosto de 2020, é tarefa ainda mais desafiadora.

Não tanto pelas 9 décadas que ele vem atravessando (e também por isso), mas por Celso Marconi representar um cabedal de valiosa referência intelectual e cultural para o Estado de Pernambuco.

Aceitar construir a biografia Celso Marconi: O senhor do tempo, da Coleção Perfis, publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) – a ser lançada amanhã (21) -, foi igualmente desafiador e prazeroso (talvez, essas duas condições sejam complementares). E se chegamos a algum lugar por ela que seja o do reconhecimento da dimensão de Celso como figura corajosa, provocadora, dona de um saudável ceticismo (como já mencionou Kleber Mendonça Filho), para que a cultura (e o pensamento sobre a cultura) em Pernambuco avançasse para longe do provincianismo. Não é pouco.

Para falar propriamente do livro, na falta de mais algumas palavras originais, aproveito para reproduzir, abaixo, o belo texto que o apresenta na orelha da publicação.

Viva Celso Marconi!

Em tempo: Amanhã (sexta, 21), às 17h30, Celso participa comigo, Luiz Joaquim, de um bate-papo online sobre sua biografia, mediado pelo editor da CEPE, Diogues Guedes. Será na página do YouTube da editora. Para acompanhar, clique aqui.

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“Aos 90 anos, o crítico, jornalista e cineasta Celso Marconi continua escrevendo análises de novos e antigos filmes — as suas redes sociais são veículos ativos de reflexões, provocações, ensaios. Nome essencial para se entender os debates estéticos e culturais de Pernambuco (e do Brasil) a partir da segunda metade do século XX, o autor ganha aqui uma necessária narrativa biográfica, que busca dar conta das muitas faces e tempos que habitam um mesmo homem.

Também cineasta, professor, crítico de arte, gestor e curador cinematográfico, Celso Marconi influenciou a formação de gerações de cinéfilos com suas reflexões, sempre ressaltando a importância da produção artística brasileira, em particular o cinema. E sempre atento ao viés social, que, para ele, nunca deveria estar dissociado da produção intelectual.

A infância e a formação em vários núcleos familiares, o começo no jornalismo, a paixão pelo cinema, o ofício de programador, a luta por ideais de justiça social, as provocações (e cisões) estéticas e, principalmente, a disposição para estar sempre em atividade e reflexão compõem esta biografia, escrita por um seguidor de seus passos na carreira.

No livro, Luiz Joaquim aprofunda o olhar sobre um Celso Marconi que sempre se jogou de cabeça na aventura de viver todas as suas paixões, desde a chance inesperada de conhecer a China de Mao em plena Guerra Fria e a eterna vertigem que é fazer
 cinema no Brasil, até a grande epopeia de amar e ser amado, que lhe rendeu inúmeros amigos, companheiras, muitos filhos e netos. E, por tudo isso, cada vez mais admiradores”.

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