
29º Tiradentes (2026) – Abertura e seleção
Começa o ano para o que há de novo no cinema brasileiro. A Mostra exibirá 137 filmes, 8 são pernambucanos
Por Luiz Joaquim | 23.01.2026 (sexta-feira)
– na foto acima, a homenageada desta edição, a atriz e realizadora Karine Teles em foto de Dudu Mafra/ Univeso Produção
A edição 29 da Mostra de Cinema de Tiradentes promete ser chuvosa, informa a previsão do tempo, mas não há chuva que detenha a empolgação de participar deste que se consolidou como uma espécie de farol entre os festivais do país pelo seu caráter introdutório e de proposição de reflexão para o que há de novo, com frescor, nascendo no cinema nacional.
Esta sua 29ª edição, que dá partida hoje (23), seja com pouco ou muita chuva, em seu começo deve ser sorridente, com os brasileiros ainda orgulhosos e celebrativos um dia após o anúncio das cinco indicações do Brasil à premiação do Oscar 2026. Quatro delas com O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, filme que, a propósito, ganha uma exibição especial no último dia da Mostra, o sábado 31/1, às 14h.
A sensação de orgulho pelo nosso cinema deverá crescer na plateia no Cine Tenda, montado no Largo das Fôrras, na noite de hoje quando, abrindo oficialmente a Mostra, a sua diretora Rachel Hallak proferir o seu tradicional discurso engajado e comprometido com a Arte, embalado pela habitual festividade da cerimônia.
A abertura do evento, que este ano tem como norte o tema “Soberania Imaginativa” (valorizando a capacidade inventiva, autônoma e diversa do nosso cinema), reserva também uma homenagem a atriz e realizadora Karine Teles, que também trabalhou com Kleber Mendonça em Bacurau (2019), tendo chamado a atenção no inesquecível Riscado, eleita melhor atriz em Gramado 2011.
Além da homenagem, Tiradentes dá os parabéns ao gigante Júlio Bressane pelos seus 80 anos a serem completos neste 2026 e apresenta pela primeira vez seu novo trabalho, o curta-metragem codirigido com Rodrigo Lima, O fantasma da ópera que, em 25 minutos, revela detalhes nos intervalos das filmagens do longa-metragem inédito Pitico, estrelado por Paulo Betti.

Imagem de “O Fantasma da ópera”, codirigido por Bressane, que exibe hoje, abrindo a Mostra.
Nesta edição do prestigiado evento da Universo Produção, o público terá acesso gratuito, em 9 dias, a 137 filmes, sendo 43 longas-metragens e 93 curtas, todos em pré-estreia, espalhados em 21 mostras ou sessões especiais. Os títulos, entre produções e coproduções, vêm de 23 estados. Há trabalhos de Rio de Janeiro (30 filmes), Minas Gerais (27), São Paulo (22), Pernambuco (8), Rio Grande do Sul (7), Ceará (7), Bahia (6), Goiás (5), Pará (4), Paraná (3), Paraíba (3), Distrito Federal (2), Rio Grande do Norte (2), Maranhão (2), Espírito Santo (2), Sergipe (2) e Amazonas (2), Amapá (1), Santa Catarina (1), Rondônia (1), Piauí (1), Mato Grosso (1) e Alagoas (1).
Além de O agente secreto, Pernambuco aparece com os longas-metragens Ao sabor das cinzas (30/1 às 20h), produção inédita de Taciano Valério, na principal competição pelo programa “Olhos Livres”; e o documentário Palco cama (amanhã, 16h), de Jura Capela, no programa “Vertentes”, sobre o universo criativo de José Celso Martinez.
Há ainda os curtas Cinema moderno (27/1, 22h30), de Felipe André Silva; o doc. Os ursos e nós (27/1, 21h), da antropóloga Marina Acselrad; a ficção Roteiro para uma fuga (28/1, 21h), de Priscila Nascimento, com Iyádirê; a ficção Trincheiras (30/1, 17h15), de Lucas da Rocha e Maria Clara Almeida; além da revisão de Ocidente (26/1, 18h), experimento do cineasta Leonardo Sette em coprodução com a CinemaScope, de Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça, que chamou atenção em 2008.

Iyádirê em cena do curta “Roteiro para uma fuga”, de Priscila Nascimento
COMPETIÇAO – Taciano Valério está na disputa pela “Olhos Livres” com Meu Tio da Câmera (Bernard Lessa, ES), Tannhäuser (Vinícius Romero, SP), Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), As Florestas da Noite (Priscyla Bettim e Renato Coelho, SP), O Enigma de S. (Gustavo de Mattos Jahn, RJ) e Amante difícil (João Pedro Faro, RJ). Desde o ano passado, a “Olhos Livres” reforçou seu perfil voltado à investigação de novos caminhos da produção autoral, acompanhando cineastas que seguem apostando na radicalidade inventiva mesmo após trajetórias consolidadas.
Em seu 19º ano, o programa “Aurora” segue, pela segunda edição consecutiva, dedicada exclusivamente a primeiros longas-metragens. A seção permanece como um dos principais espaços de revelação do cinema brasileiro, contribuindo para redesenhar o mapa da produção nacional a partir de realizadores em início de carreira na direção. Compõem a “Aurora” 2026 os filmes Vulgo Jenny (Viviane Goulart, GO), Sabes de Mim, Agora Esqueça (Denise Vieira, DF), Politiktok (Álvaro Andrade, BA), A Voz da Virgem (Pedro Almeida, RJ), “Para os Guardados” (desali e Rafael Rocha, MG) e Obeso Mórbido (Diego Bauer, AM).
No programa “Autorias”, realizadores de trajetória consolidada assumem novos riscos e aprofundam suas marcas inventivas em filmes que prometem instigar o público. Integram a seleção Aurora (João Vieira Torres, RJ), Uma Baleia Pode Ser Dilacerada como uma Escola de Samba (Felipe M. Bragança e Marina Meliande, RJ), Estopim (Tiago A. Neves, PB), Antes do Nome (Luiz Pretti, MG) e Atravessa Minha Carne (Marcela Aguiar Borela, GO/DF).

Imagem de “Uma Baleia Pode Ser Dilacerada como uma Escola de Samba”, de Felipe M. Bragança e Marina Meliande.
Já o programa “Invenção” reafirma a aposta em um cinema que se constrói como aventura coletiva da criação, entendida como gesto vivo e contemporâneo. Nesta edição, a seção apresenta Amuleto (RJ), de Heraldo HB e Igor Barradas, e Noites sem diálogo (RJ/SP), de João Pedro Faro, Bruno Lisboa, Miguel Clark, Hannah Maia, Joana Liberato, Vinícius Romero e Pio Drummond – filme composto por múltiplos fragmentos, imagens de arquivo, colagens, cromatismos e performances.
O programa “Praça” reúne trabalhos de comunicação direta com o público, muitos deles assinados por nomes conhecidos da televisão e do cinema de maior alcance. Os longas exibidos são “Dolores” (Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, SP), “Herança de Narcisa” (Clarissa Appelt e Daniel Dias, RJ), “Pequenas Criaturas” (Anne Pinheiro Guimarães, RJ), “Querido Mundo” (Miguel Falabella, RJ), “Ladeiras da Memória – Paisagens do Clube da Esquina” (Raabe Andrade e Daniel Caetano, MG/RJ) e “O Último Episódio” (Maurílio Martins, MG). A mostra inclui ainda três sessões com um total de 15 curtas-metragens.
COBERTURA – Acompanhe a cobertura completa a partir deste domingo (25), pelo 20º ano consecutivo do CinemaEscrito, sobre a Mostra de Tiradentes. O editor e crítico do site, Luiz Joaquim, este que aqui escreve, também estará integrando o Júri da Crítica (Abraccine) da Mostra e o júri do Prêmio Canal Brasil.















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