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Livro: Novo Ciclo de Cinema em Pernambuco

Estudando o cinema pernambucano

Por Luiz Joaquim | 22.04.2010 (quinta-feira)

Há um problema conceitual já no título do livro que a mestre em comunicação Amanda Mansur Custódio Nogueira irá lançar próximo dia 30 no hall do Cineteatro Guararapes, Centro de Convenções, durante o 15° Cine-PE: Festival do Audiovisual. O problema no nome “O Novo Ciclo de Cinema em Pernambuco: A Questão do Estilo” está em sua definição do atual momento em que vive o cinema pernambucano como o de um ciclo. Não há, historicamente, como estudar e definir um ciclo conceitual estando dentre deste ciclo. É, claramente necessário, estar temporalmente distante dele para enxergá-lo em sua amplitude (sendo, ainda assim, uma visão não fácil de encerrar e explicar).

O livro faz parte de um programa de publicação de dissertações e teses defendidas pelos pós-graduandos da Universidade Federal de Pernambuco. O programa é louvável e importante, entre outros motivos, por aproximar o leigo do universo acadêmico além de trazer a público o resultado das pesquisas defendidas naquela instituição. “O Novo Ciclo…” é exatamente o trabalho de conclusão do mestrado de Amanda, concluído em 2009.

Temos neste um evidente trabalho de fôlego de apuração pelo qual Amanda fechou seu objeto de pesquisa em oito longas-metragens realizados em Pernambuco ou por pernambucanos. São eles: “Baile Perfumado” (1996), “O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas” (2000), “Amarelo Manga” (2003), “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), “Árido Movie” (2005), “Baixio das Bestas” (2006), “Cartola” (2007) e “Deserto Feliz” (2007).

É um recorte válido mas, reforçamos, não representativo uma vez que para a tentativa de suscitar questões sobre o estilo do “novo ciclo” de cinema em Pernambuco, há de se avaliar e contextualizar uma gama muito mais variada de títulos produzidos no período (e ainda em gestação), incluindo aí curtas-metragens e longas que não tiveram lançamento comercial, mas chegaram ao público via festivais e salas alternativas no Grande Recife, como por exemplo “O Coco, a Roda, o Pneu, o Farol” (2007) e “Crítico” (2007), só para citar dois longas do mesmo período recortado pela pesquisadora.

Entre as boas perguntas que Amanda levanta está a que questiona se realmente existe um “cinema pernamucano”. Busca alguns sinais de semelhanças que possam identificá-lo e chega ao grupo Vanretrô formado na UFPE dos anos 1980 por aqueles que hoje são nomes consagrados do cinema local. Apoiada no conceito da “estrutura do sentimento”, baseia sua hiptose principal: a de que foi a semelhança dos valores desses autores que fez o cinema pernambucano identificável pelo que ele é.

Como dissertação, Amanda nos dá um belo exemplo de pesquisa e desenvoltura acadêmica. Há também no trabalho ficha técnica dos filmes e entrevistas com Marcelo Gomes, Cláudio Assis, Lírio Ferreira, Paulo Caldas e o professor Samuel Paiva. Mas como livro, “O Novo Ciclo…” não deve ser tomado como a melhor referência para entendermos este período ainda em curso do cinema regional. Ele é apenas o único (por enquanto). Isto numa seara de publicações sérias sobre o nosso cinema; seja lá que identidade tenha de fato este cinema.

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