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Críticas

Juntos pelo Acaso

Sob o domínio do bebê

Por Luiz Joaquim | 22.10.2010 (sexta-feira)

Há uma chata estratégia no início de “Juntos pelo Acaso” (Life as We Know it, EUA, 2010), filme de Greg Berlanti em cartaz, que insiste em provar o quanto é estúpido formar família, ter filhos. Na sequência específica, Holli (Katherine Heigl) e Eric (Josh Duhamel) conversam com alguns casais que pontuam todas as limitações que filhos pequenos impõe aos pais. À certa altura, alguém comenta: “Sabe como é o casamento? Imagine uma prisão. Não há diferença”.

O exagero é, na verdade, um componente básico da cartilha hollywoodiana de filmar. Não há nada de novo nisso, exceto que “Juntos pelo Acaso”, após esse começo esteriotipado, acaba por funcionar bem na medida em que o casal protagonista vai sendo apresentando ao espectador com suas deficiências e méritos. Ou seja, quanto mais eles nos parecem familiar, melhor para todos.

Mesmo assim, o filme não escapa de outras fórmulas sagradas da tonelada de comédias românticas gringas que chegam por aqui quinzenalmente. Como por exemplo: já na abertura, sabemos que Holli e Eric se odeiam. Ela é madura e organizada. Ele, um mulherengo bebedor de cerveja. Mas, bastam apenas mais cinco minutos para você saber onde esse “ódio” vai parar.

Dá pra dizer sem medo que, nesse gênero, 80% das histórias são idênticas, diferenciando apenas o mote que vai unir o casal. E, aparentemente, Hollywood apela no momento para a paternidade e maternidade de primeira viagem. Haja visto, há quatro meses, “Plano B”, com Jennifer Lopez.

Em “Juntos…”, a melhor amiga de Holli é casada com o melhor amigo de Eric. E o casal tem a fofa bebê Sophie (vivida por três atrizes em três fases: com poucos meses, com um e com dois anos). Por um acidente, os pais saem de cena, deixando a incubência de Holli e Eric serem os tutores da bebê.

Fórmula armada e o filme vai sendo enxertado com piadas como Eric embalando Sophie com “Creep”, do Radiohead (“Mas eu sou um verme / Sou bizarro / O que diabos estou fazendo aqui? / Eu não pertence a esse lugar”), ou Holli não percebendo cocô no próprio rosto depois de trocar a fralda de Sophie pela primeira vez.

Mas não se engane aquele que achar que “Juntos pelo Acaso” é um filme sobre Sophie. O foco está menos na bebê e mais no casal quase adolescente. A intenção aqui é mostrar eles crescendo e, de certa forma, Berlanti faz isso bem. Ao final, ao som de “Sweet Child of Mine”, na doce versão de Taken by Trees, a ideia mais forte que fica é de que só uma mulher determinada conserta um homem imaturo. Mesmo que ela tenha apenas um ano de idade.

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