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Festivais

14o. Tiradentes (2011) – noite 4

O cinema latejante de Dornelles

Por Luiz Joaquim | 25.01.2011 (terça-feira)

TIRADENTES (MG) – Se em 2010 o Ceará estava em destaque na Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2011 os pernambucanos estão em todas as esquinas e telas da cidade. Na segunda-feira, três curtas-metrages assustaram, encantaram e divertiram o público mineiro. A reverberação no hall do Cine Tenda, serviu como confirmação da primeira exibição de “Mens Sana in Corpore Sano”, de Juliano Dornelles, como o ponto alto do programa. Expressões ditas pelo público como “depois dessa pancada, num sei se quero ver outra coisa” desenham a temperatura de como foi a experiência de conhecer o fisioculturista do filme, interpretado por Flávio Danilo.

“Mens Sana…” acompanha em 22 minutos, como uma testemunha calada, o cotidiano de um homem cuja disciplina nos exercícios físicos e sua massa muscular impressionam tanto quanto Arnold Schwarzenegger impressionava em “Conan: O Bárbaro” (1982). A escolha de Juliano pelo lindo formato de tela cinemascope (proporção de 2,35: 1) foi acertado (com bela fotografia de Pedro Sotero), considerando a obsessão instantânea que se estabelece do olhar curioso do espectador com o incomum volume de músculos que molda o corpo de Flávio.

“Mens sana…” apresentou-se aqui como mais um trabalho `alienígena` vindo de Pernambuco, dentro de um cenário de curtas-metragens habitualmente pautados pelo bom comportamento. Juliano aliou uma idéia corajosa com um rigor visual de devoção quase religiosa com o cinema clássico. Parece ter sido filmado de joelhos, rezando para mestres da ação nos anos 1960 e 1970. Se houvesse uma classificação para resumir o que representa “Mens Sana…” talvez ela se chamasse de “cinema latejante”.

Do ponto de vista humano, o curta estimula a reflexão sobre quem domina quem – se o corpo ou a cabeça – num mundo cada vez mais pautado pela imagem e pela busca de uma perfeição estética. Mas há uma Indignação por aqui: por estar no programa Panorama, “Mens Sana…” não teve direito a debate com a crítica e o público no dia seguinte.

Os outros pernambucanos exibidos no mesmo dia foram “Aeroporto”, de Marcelo Pedroso e “As Aventuras de Paulo Bruscky”, de Gabriel Mascaro. Os três filmes exibidos são da produtora Simio Filmes, cujos integrantes estão sendo “perseguidos” por toda a imprensa nacional presente na Mostra.

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