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Frevo nas rádios pode virar lei

O ritmo já é Patrimônio Imaterial da Humanidade

Por Luiz Joaquim | 28.02.2013 (quinta-feira)

Um projeto de lei, de autoria do vereador Marco Aurélio Medeiros (PTC), prometia (e cumpriu) um empolgado debate na tarde de ontem durante sua proposta de votação na Câmara. O projeto visa a execução mínima de três minutos por dia de Frevo em todas as rádios do Recife, indiscriminadamente. Com o projeto, seu proponente quer garantir que o ritmo pernambucano, eleito Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2012, ser perpetue entre as novas gerações, que reforce nossa identidade cultural e que sirva de estímulo a novos compositores.

“O mundo já reconheceu o valor do Frevo e nossas rádios tocam músícas de outras culturas. Temos de estabelecer condições mínimas para nossos artistas terem o desejo de criar Frevo”, ponderou Marco Aurélio. Com a sessão acompanhada pela presença de populares e diversos artistas consagrados pelo ritmo, como Claudionor Germano, Nena Queiroga, Almir Rouche e Maestro Spok entre outros, a defesa do proponente foi amplamento elogiada pelos colegas da casa, mas não sem algumas sugestões de aprimoramento.

A primeira pontuação a respeito foi feita pela vereadora Michele Collins (PP), que reconheceu a proposta do companheiro, mas solicitou atenção ao assunto. “Represento um segmento evangélico, e seria muito difícil para uma rádio religiosa tocar música de carnaval”, disse.

Para Jurandir Liberal (PT), “talvez caiba reestruturar o projeto para viabilizá-lo. Sua forma de aplicação não está clara”, ressaltou, afirmando que se votasse ontem, votaria sim, lembrando que rádios operam sob concessão pública, mesmo as evangélicas. Já Isabella de Roldão (PDT) chamou a atenção para a necessidade de também se discutir o horário das execuções, “caso contrário, as rádios podem fazê-lo apenas na madrugada”.

O presidente da câmara, Vicente André Gomes (PSB), por sua vez concorda que é uma grande oportunidade de incentivar o frevo. “Nem todas as letras cabem nas rádios evangélicas. É preciso preservar a religião”, conclamou. Para Raul Jungmann (PPS) o embate ali entrava num fundo constitucional, uma vez que nossa Carta Magna “define que o Estado é laico. Imagine se luteranos, budistas e hindus tivessem ritmos que não permitissem ser cantados em público”.

O vereador Carlos Gueiros (PTB), reforçou a importância do Frevo e lembrou que o gospel é um gênero que se apropria de vários ritmos como o rock e o forró. “O que preocupa é a letra de um frevo que atente contra os bons costumes, mas se tem lição, se tem moral, deve se elevar o frevo”. Seu pedido de vistas, adiando a votação para outra data (a definir), foi seguida pela de outros vereadores.

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