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Entrevistas

Entrevista: Cris dAmato

Adolescência revisitada

Por Luiz Joaquim | 21.12.2013 (sábado)

Muitas balzaquianas de hoje lembram com carinho de “Confissões de Adolescente”, a série de tevê veiculada entre 1994 e 1996 na TV Cultura e feita a partir do livro homônimo de Maria Mariana. A história das quatro irmãs ali entre os 13 e 19 anos, criadas por um pai, sem mãe, volta a ganhar destaque com a versão para o cinema com estreia prevista para 10 de janeiro de 2014.

Co-dirigido por Cris d Amato e Daniel Filho – que esteve a frente da série nos anos 1990 -, o filme atualiza para os dias de hoje os eternos dilemas juvenis como o primeiro beijo, a popularidade na escola, a escolha da profissão e a perda da virgindade. Para encontrar sintonia com os dias de hoje, o cineasta Matheus Souza, de 25 anos, foi convidado a assinar o roteiro deste novo trabalho que irá invadir cerca de 400 salas de cinema nos multiplex do País.

Do Rio de Janeiro, em entrevista por telefone, a diretora Cris d Amato contou como surgiu a ideia de resgatar o projeto, quais os desafios da atualização pros dias de hoje, sobre a escolha do elenco e adiantou que já existe um aceno da Sony Pictures para um filme 2. Acompanhe.

Entrevista: Cris dAmato

Você estava no processo do projeto desde o início?
Sim, desde o início. Começou com o desejo de Daniel [Filho] e do Rodrigo Saturnino [diretor da Sony Pictures no Brasil] em resgatar o projeto. Os direitos de levar a história para o cinema estavam com outro produtor e expirou, daí Daniel o tomou de volta e começou a trabalhar na adaptação.

Como Matheus Souza entrou no projeto? Que tipo de liberdade ele teve para criar o roteiro?
Daniel havia feito uma participação especial como ator no filme de Matheus [“Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo com a Minha Vida”, em cartaz hoje no Recife] e gostou muito do roteiro. Daí começou a nortear com ele o que queria do roteiro. O Matheus escreveu tudo em um mês. Mas ele escreveu muito. A gente brincava dizendo que ele escreveu “O Senhor dos Anéis” dos adolescentes [risos], por que o roteiro dele tinha 140 páginas, quando os nossos roteiros têm 80 páginas. Quando leu o resultado, Daniel sentiu falta do núcleo familiar e fez algumas inclusões, mas Matheus teve total liberdade aqui.

Como funcionou a co-direção com o Daniel Filho?
Bom, eu já tinha uma parceria com Daniel que vem desde “Muito Gelo e Dois Dedos D Água” (2007) e que passou por “Seu eu Fosse Você 2” e “Chico Xavier” como assistente de direção. Desde então a gente vem se conhecendo cada vez mais e vejo o Daniel como um ótimo diretor de atores. Ele não “gasta” o ator, sabe? Não repete a cena 500 vezes. A gente tem muita cumplicidade e aprendi muito, e ainda aprendo, com Daniel. Ele foi muito gentil em dividir a direção do “Confissões…” comigo.

E sobre os filmes direcionados aos adolescentes? São poucas as produções no Brasil tendo esse público como alvo.
Pois é. Existe essa lacuna. Na tevê temos o “Malhação” [série da TV Globo], no cinema temos muitos filmes americanos, franceses, mas pouca coisa no Brasil. O projeto do “Confissões…” desde que surgiu foi um sucesso logo quando montado para o teatro. Foi muito bem recebido. Inclusive o Matheus [Souza] também montou essa peça. E é um projeto bacana porque ele fala de coisas muito próximas dessa galera sem ser didático, sem ser professoral e isso ajuda a chegar mais próximo de seu público.

Acha que deixou de fora do filme algum grande dilema juvenil?
Olha, tem tantos assuntos. Uma infinidade. Eu acho que a mais maluca de todas é a escolha da profissão. Acho que é a mais pesada. Eu tenho um filha que estava no último ano e precisava decidir que vestibular ia prestar. Nesse ano seu pensamento foi de veterinária, para psicologia, administração de empresa. Quer dizer, ela não queria era ser nada daquilo. A melhor coisa era amadurecer para decidir o que fazer. As outras questões adolescentes como o primeiro beijo, a perda da virgindade, todos os medos enfim, não mudam nunca. Nos anos 1980, 90, 2000, o sentimento era igual. Eu entendo tudo isso porque também vive algo assim. A diferença para hoje é que tudo acontece muito mais cedo na vida dessas garotas.

Vocês tomaram o elenco da série de tevê como referência para eleger o elenco do filme? Quais foram os critérios para a seleção?
Não. Fizemos 450 testes. Destes fomos escolhendo as atrizes que encaixavam mais no perfil do personagem. As escolhidas [as atrizes Sophia Abrahão, Bella Camero, Malu Rodrigues e Clara Tiezzi] nem se parecem fisicamente com as garotas da série da tevê [Maria Mariana, Deborah Secco, Georgiana Góes e Daniele Valente]. Talvez o Cássio Gabus Mendes, que faz o pai, lembre um pouco o Luís Gustavo, da série.

Por que o nome das personagens no filme – Tina, Bianca, Alice, Karina – são diferentes dos nomes delas na série – Diana, Carol, Bárbara, Natália?
Os nomes diferentes vinheram do roterio de Matheus e resolvemos não mudar.

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