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Críticas

Morre Omar Sharif

Ator faleceu aos 83, no Egito

Por Luiz Joaquim | 11.07.2015 (sábado)

É provável que uma geração mais jovem não entenda a importância de Omar Sharif para o cinema mundial, uma vez que o ator egípcio, falecido ontem aos 83 anos, tenha circulado pouco nos últimos anos pelas salas de cinema daqui. Seu trabalho mais recente lançado no Brasil foi em 2003, por um discreto filme francês de François Dupeyron chamado “Uma Amizade sem Froteiras”. Nele, Sharif é o muçulmano Ibrahim, um simpático e charmoso dono de uma mercearia em Paris, que fica amigo de um garoto judeu pobre.

Atente para o “charmoso”, marca colada ao ator que, até lançar-se mundialmente pelo clássico absoluto “Lawrence da Arábia”, de David Lean (1963), atuava apenas em seu país africano. Em 2012, quando completou 80 anos, Sharif relembrou que Lean estava desesperado para encontrar um ator egípcio bonito e que fosse fluente no idioma inglês para viver o personagem Ali, do filme.

À época com 30 anos, sem nunca ter saído do Egito, Sharif entendeu que aquela era sua chance de ganhar o mundo. Ele a agarrou com força e lembrou as palavras de Lean após passar pelo teste de elenco: “Agora você poderá trabalhar como ator tanto na América como na Europa”, teria dito o cineasta.

O próprio Lean ajudaria Sharif nessa jornada de reconhecimento, chamando-o, dois anos depois, para agora ser o protagonista de sua seguinte grande produção. Era “Dr. Jivago”, quando o astro contracena com a bela inglesa Julie Chistie num enredo que os colocava nos anos anteriores ao da Revolução Russa. Ele era o médico e poeta Yuri, casado com uma aristocrata, ao mesmo tempo em que se envolvia com uma traumatizada enfermeira. Por “Dr. Jivago”, Sharif seria sempre lembrado como o galã do oriente, por sua masculinidade e beleza de traços exóticos para os padrões ocidentais dos anos 1960.

Em 1968, Sharif faz novo par romântico, agora com Barbara Streisand, em “Funny Girl: A Garota Genial”. Desta vez sob as mãos de William Wyler, o ator vive um jogador compulsivo que segue num casamento conflituoso com uma atriz e cantora judia.

Sempre com seu bigode, Omar Sharif seguiu pelos anos 1970 em personagens que ainda exploravam as características da sua persona do oriente, ora escalado para personagens históricos, bíblicos, ou próprios da espionagem. Ainda assim, o galã não refutava participações em trabalhos mais leves, como o muito divertido sucesso “Top Secret: Super-Confidencial”, (1984) de Jim Abrahams com os Irmãos Zucher. Nele Sharif aparecia como uma paródia da espionagem sempre em situações absurdas de camuflagem. Sua última participação em uma grande produção internacional foi em 2008, como narrador do épico pré-histórico “10.000 A.C.” de Roland Emmerich.

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