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Era uma vez o trailer..

De quando os trailers tinham identidade própria até tornarem-se relatórios burocráticos.

Por Luiz Joaquim | 27.07.2017 (quinta-feira)

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Foram-se os bons trailers, ficaram os videocliples marqueteiros. Há não muito tempo (30 anos?) trailers ainda eram peças que buscavam traduzir artisticamente, em cerca de dois minutos, a essência daquilo que representavam.

Nessa representação entrava o mesmo espírito cômico, tenso, misterioso ou triste do longa-metragem, mas dentro de uma nova construção de sentidos. Um trailer podia girar apenas sobre imagens e/ou o slogan, igualmente forte, do filme. E esse trailer, em particular, teria força para funcionar mesmo independente da sua fonte original.

Um bom parâmetro e perceber que um bom trailer sobrevive ao tempo, o ruim não.

 

Ir ao cinema e ver trailers costumava ser divertido não apenas para descobrirmos o que estava por estrear, mas por vermos peças artisticamente elaboradas. Hoje (falamos dos últimos 20 anos) `cansativo` traduz melhor a sensação que temos antes da principal atração iniciar na tela.

 

Desde o final dos anos 1990, os trailers apresentam-se como resumos de um enredo. Alguns, muito pobres, chegam a entregar todo o enredo. Estes, deprimentes e deprimidos, mostram-se como relatórios construídos sobre imagens alheias. É a burocracia em som e imagens encadeados.

Seus produtores têm a fé de que se os trailers não adiantarem detalhadamente o que há da historinha a contar em seu longa-metragem, a bilheteria será um fracasso no primeiro e sagrado final de semana do circuito comercial. É como subestimar o público. Algo corriqueiro no cinema contemporâneo.

Talvez Harvey Weisntein e sua antiga produtora, Miramax, tenham sido os principais responsável por essa transformações no mercado dos trailers. Exemplos de filmes que tornaram-se grande sucesso do mercado pelas suas mãos – vide O paciente inglês (1996) – ajudam a entender o fenômeno do nascimento do trailer enfadonho.

 

Foi quando o processo saiu do âmbito dos criadores para ficar com os fazedores de dinheiros que essa história começou a mudar. E já que o mercado pensa tal qual uma boiada que segue uma boi, toda a Hollywood (e o mundo, em sua esteira) passou a correr atrás das pegadas pesadas de Weinstein.

É verdade que a Miramax ajudou a chegar até nós Cães de aluguel, com seu igualmente esperto trailer, mas ali (1992) o produtor ainda falava mais baixo que o artista que ele representava – e há de considerar-se também que este artista chamava-se Quentin Tarantino, ou seja, alguém que procura participar de tudo que diga respeito ao seu produto.

 

Resta torcer para que jovens talentosos continuem surgindo para insistir em furar esse bloqueio criativo sedimentado pelo mercado no que diz respeito aos trailers, tal qual um certo grupo fez em 1999 com uma jóia rara chamada A bruxa de Blair.

 

Abaixo, algumas outras peças – entre infinitas do passado – que valem tanto quanto um bom filme.

 

 

 

 

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