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Festivais

4º Ecrã (2020) – Passou

Felipe André Silva lança seu terceiro longa-metragem, que está livre, por streaming, no Festival Ecrã

Por Luiz Joaquim | 27.08.2020 (quinta-feira)

– na foto acima, Carlos Eduardo Ferraz em cena de Passou

A confusão harmônica para a qual se encaminha a canção de abertura de Passou (Bra., 2020), terceiro longa-metragem do pernambucano Felipe André Silva, adianta a confusão ou indefinições emocionais dos personagens que o filme procura apresentar sob o controle de um rigor fotográfico e estético que parece não ser suficiente para torná-los atraentes.

Na verdade, personagens não precisam ser atraentes, apenas interessantes. Esse interesse poderia se manifestar no filme de Felipe André pela fala, pela palavra. Elemento tão valorizado nas cartelas que desfilam sobre as imagens de Passou, mas elas dão apenas sugestões de interesse, como uma poesia incompleta. Não propositadamente incompleta.

Nessas cartelas, a sugestão da passagem do tempo – 1 dia, 1 mês, 11, 3 anos – não inflige a sugestão da passagem do tempo. As constantes sequências internas e noturnas do filme talvez não ajudem nesse sentido. Mas não apenas por isso. E se essa era a proposta, o que é o tempo, então, para os personagens e para os espectadores do filme de Felipe André?

Os planos longos e estáticos sugerem uma não-ação que pouco ganha vida com o pouco movimento dos corpos dos atores, inicialmente solitários. Na verdade, ela, a ação, vem estabelecer-se pelo sexo, que emudece os personagens. E a câmera só vai promover o movimento, só vai propor vida, a partir de si própria, pela dança (literalmente) destes mesmo personagens.

Os atores aqui merecem crédito, por assumir com razoável tranquilidade os longos monólogos (disfarçados de diálogos) do roteiro. O trabalho e os nomes de Pedro Toscano, Fábio Alves, Carlos Eduardo Ferraz e Peu Queiroga merecem, portanto, registro.

Assim como o trabalho cuidadoso de Pedro Sotero administrando uma fotografia pautada por luzes noturnas, coadinhas, numa janela que remete ao formato do padrão da bitola 8mm (algo ali pela proporção do 1:1,33) com as sombras fazendo o seu papel dramático para o texto dramático do roteiro.

A certa altura, a não-ação ameaça ser desconstruída num raro momento de interação entre dois corpos no mesmo quadro (e fora do contexto do sexo, e fora do contexto da dança), quando um avisa ao outro: “Não adiante se esconder. Ou a gente faz ou a gente faz”. Mas a chapação do casal relativiza a natureza desse movimento.

A sinopse de Passou diz: “Fábio amava Pedro, que sentia algo por Carlos, que não sabia o que esperar de Fábio. Agora tudo isso passou e não há porque olhar pra trás”.

Para acessar o 4º Ecrã gratuitamente, até 30 de agosto, clique aqui.

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