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Críticas

A Família Savage

Família em fragmentos

Por Luiz Joaquim | 09.05.2008 (sexta-feira)

Curiosa as abordagens para a velhice que chega hoje em dois filmes nos multiplex do Recife. Um é o ‘pra cima’ “Chega de Saudade” e o outro é o duro “A Família Savage” (The Savages, EUA, 2007), que entra na Sessão de Arte da UCI/Severiano Ribeiro. Pensando melhor, este drama dirigido e roteirizado por Tamara Jenkins tem mesmo como sustentáculo dramático a relação familiar.

O fato de a agregação entre dois irmãos distantes um do outro e sentimentalmente falidos ser o velho pai, Lenny (Philip Bosco), que está entrando na demência cerebral, é que nos remete para o tópico ‘terceira idade’.

Os irmãos Jon (Philip Seymour Hoffman, indicado aqui ao Globo de Ouro), um professor PhD em filosofia de 42 anos e especialista na obra de Bertolt Brecht, e Wendy (Laura Linney, indicada aqui ao Oscar) uma dramaturga de 39 anos que nunca teve uma peça encenada, só se reencontram porque o pai perde a companheira e não tem mais onde morar.

Os dois estão envoltos em projetos profissionais e pessoais, que envolve uma romance interrompido com uma polonesa – no caso de Jon -; e um affair com um homem casado – no caso de Wendy. Fragilizados em todos os aspectos, os dois buscam a fórmula mais prática e mais fria para resolver o destino do pai. Colocá-lo num asilo.

Lutando contra o que o filme sugere ser inevitável nesta decisão, os dois sofrem, cada um a seu modo, com a idéia do asilo, colocando na balança a própria relação penosa que eles tiveram com o pai na infância e adolescência.

Tendo concorrido também à estatueta dourada pelo enxuto roteito original, “A Família Savage” traz boas interpretação do trio de protagonistas, mas anda deixa uma sensação de controle engessado, não neste caso na estética ou narrativa, mas na opção temática e definição do perfil de seus personagens.

Parece a mesma com a qual o cinema independente norte-americano (o filme é distribuído pela ‘Fox-Searchlight’) vem retratando nos últimos anos os dramas de sua classe-média, ou seja, ainda de forma asseptica e com um pragmatismo que não casa muito com o que poderia ser real. “A Lula e A Baleia” me vem à cabeça, que, também, não por acaso, foi indicado ao Oscar de roteiro original há dois anos, além de ter a mesma Laura Linney na disputa do Globo de Ouro naquele ano

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