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Livro : Tudo sobre Cinema

Panorâmica pela história do cinema

Por Luiz Joaquim | 27.02.2012 (segunda-feira)

Foi mesmo muita coragem (sempre é) a do crítico, historiador de cinema e professor de jornalismo cinematográfico na Inglaterra, Philip Kemp, editar um livro sobre a história do cinema. No Brasil, a Editora Sextante deu à brochura o audacioso título de “Tudo Sobre Cinema” (576 págs., R$ 59,90) contra o original “This is Cinema” (Isso é Cinema), um pouco mais modesto. Não vá o leitor pensar que tudo, efetivamente, foi contemplado aqui – não se pode querer o impossível num livro – mas é bastante simpático, agradavel e interessante no que resultou o trabalho de Kemp.

Com préfácio de Lord Christopher Frayling, professor a autor de 18 livros sobre cultura e cinema, o livro conta com a colaboração de 25 escritores, todos eles craques britânicos quando o assunto é cinema. Em sua maior parte são jornalístas de periódicos consagrados na área como a revista “Sight and Sound” ou “Variety”, ou outras menos especializadas, mas de igual respaldo, como a “Time Out”, ou mesmo jornais diários como “The Independent” e “The Guardian”.

Muito bem representando por esta equipe, Kemp foi sagaz em organizar o livro em seis períodos: 1900 a 1929; 1930 a 1939, 1940 a 1959, 1960 a 1969, 1970 a 1989 e 1990 até hoje. Por “hoje” entenda 2009 (o que é bastante atual). Evidente que as escolas, os movimentos ou os gêneros que foram dando nortes para o cinema ao longo desses mais de 110 anos tinham suas próprias “datas de nascimento”, e o livro resolve muito bem a organização dessa informação.

No início de cada período, a bela diagramação traça uma linha do tempo, pontuando as escolas e movimentos mais imporantes daqueles anos, e registra dois filmes iconográficos para aquele grupo. Por exemplo, para falar do cinema fantástico do “Expressionismo Alemão”, Kemp elege “O Gabinete do Doutor Caligari”(1920), de Robert Wiene, e “Nosferatu” (1922), de F. W. Murnau.

Um bom e sintético texto sempre abre o assunto, contextualizando o momento político-social e incuindo o nome de personagens importantes do cinema para situar o leitor. Na sequência, algum colaborador comenta e explica o porquê dos filmes escolhidos para livro terem sidos tão determinantes na história do cinema.

Para cada filme, há o registro (com fotos) de suas cenas mais marcantes e, dependendo da força do diretor ou da estrela daquela produção, um resumo na página apresenta o seu perfil. Para “Rainha Christina” (1933), por exemplo, o livro deixou de lado o diretor Rouben Mamoulian, e dedicou o espaço para dar detalhes sobre a carreira da protagonista Greta Garbo – decisão bem coerente, considerando o leitor leigo a quem o livro, principalmente, se dirige.

Ao leitor mais experimentado no assunto, vale observar as pontuações sobre uma cinematografia pouco comentada na mídia como o cinema britânico pós-guerra, a New Wave britânica, o novo cinema australiano, o canadense e o cinema africano nos anos 1970.

Do Brasil, Kemp lembra bem de Glauber Rocha, com “Deus o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e o “Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969). Cita também “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte, “vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos e, de Ruy Guerra, “Os Fuzis” (1964); além de “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade. Entre os mais recentes, aparecem “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles, “O Invasor” (2002), do “brihante e provocador” diretor Beto Brant, e “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles. Está lá também, de Pernambuco, “Deserto Feliz” (2007), de Paulo Caldas, filme ao qual o livro adjetiva de “inquietante”.

Serviço
Tudo sobre Cinema
Editora Sextante
R$ 59,90, 576 págs.

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