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Críticas

No Coração do Mar

Uma baleia à espreita

Por Luiz Joaquim | 03.12.2015 (quinta-feira)

Homem de muitos sucessos na indústria mundial do cinema, o diretor Ron Howard escreve, agora acertando em cheio na elegância e firmeza, um novo capítulo em seu currículo ao lançar “No Coração do Mar” (In the Heart of The Sea, EUA, 2015). Em seus 121 rápidos minutos de duração, o filme é uma espécie de leitura crítica – caprichada nas sequências de ação – da clássica história de um monstro marinho somada com a real história que inspirou seu autor – Herman Melville (1819-1891) – a escrever seu mais famoso drama ficionado: “Moby Dick”.

O filme inicia com um jovem Melville (Ben Whishaw) em 1850 encontrando um idoso Nickerson (Brendan Gleeson). Este senhor taciturno é a única testemunha viva de uma tragédia ocorrida 30 anos antes: o naufrágio do navio Essex ao ser atingindo por uma gigante baleia cachalote. “No Coração do Mar” é, na verdade, uma adaptação do livro homônimo de Nathaniel Philbrick, que conta a história do Essex e de dois homens que se digladiavam por ele.

O que torna “No Coração do Mar”, o filme, em algo tão atraente e interessante é exatamente o tanto de informações preciosas sobre a sociedade numa Massachusetts (EUA) do início do século 19. São dados (inclusive visuais) bem técnicos e coerentes sobre o universo do mercado baleeiro, e sobre uma sociedade que descobre, e busca, as elegrias do progresso ao custo da energia gerada pelo óleo de baleias.

Tudo isso esta posto pelo roteirista Charles Leavitt e pela direção de Howard de maneira bem administrada, ordenada, hierarquizada em ritmo envolvente, sedutor e convincente.

“No Coração do Mar” é daquelas obras em que tudo está em raro equilíbrio. Entram nesse balanço uma montagem ágil, mas sem excessos epilépticos. Uma fotografia de encher os olhos, mas sem insistir em chamar a atenção para si mesma. Uma mixagem de som potente, sem que machuque os ouvidos e, principalmente, um conjunto de atores numa sintonia que não nos deixa distrair daquilo que interessa aqui, o destino de todos eles, e o de cada um individualmente.

Para o enredo, o roteiro usa uma fórmula perigosa (por ser velha, cansada) que é a de nos levar às imagens do passado pelas memórias do velho Nickerson contadas a Melville sobre quando era adolescente (na pele de Tom Holland, o próximo Homem-Aranha), o então mais jovem marujo do Essex. Mas essa dosagem é acertada uma vez que há uma tensão humana específica sobre o Essex contendo uma força própria.

Ela reside no conflito entre o incompetente e inexperiente capitão Pollard (Benjamin Walker) vindo de uma família nobre, e Chase (Chris Hemsworth, que trabalhou com Howard em “Rush: No Limite da Emoção”), um marujo natural que merecia o comando do baleeiro, mas sua condição social o atrasa na ascensão profissional.

Entre uma e outra disputa de autoridade entre os dois, muitas situação assustadoras em alto-mar que deverão fazer o espectador se agarrar na poltrona do cinema. Há ainda, diante de uma história tão impressionante (e bem contada), um bom estímulo a esse mesmo espectador para encarar o desconhecido, mesmo correndo os risco de encontrar uma furiosa baleia a sua frente.

SUCESSOS – Ron Howard acumula sucessos no cinema desde os anos 1980. Alguns deles: “Splash: Uma Sereia em Minha Vida” (1984); “Cocoon” (1985); “Willow: Na Terra da Magia” (1988); “Apolo 13: Do Desastre ao Triunfo” (1995); “Uma Mente Brilhante” (2001); “O Código Da Vinci” (2006); “Rush: No Limite da Emoção” (2013).

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