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Festivais

51. Brasília (2018) – noite 4 – “Luna”

Colocando a estupidez machista em seu devido lugar.

Por Luiz Joaquim | 18.09.2018 (terça-feira)

BRASILIA (DF)Luna, quinto longa-metragem exibido em competição no 51o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, projetou ontem (17) à noite no Cine Brasília e foi pautado na entrevista coletiva, hoje pela manhã, em boa parte por aspectos ligados à representatividade, uma vez que, por meio de um enredo tão intrinsicamente ligado ao universo feminino, a obra tenha sido dirigida por um homem, no caso, o mineiro Criz Azzi.

Na mesma coletiva, Azzi se perguntou, após a primeira exibição do filme na noite anterior, qual seria uma sinopse possível para o filme: “Seria sobre o rito de passagem para Luana? Uma adolescente situada como uma esponja do mundo?”.

Numa primeira olhadela, Luna – apelido da protagonista Luana, muito bem defendida pela atriz Eduarda Fernandes – remete imediatamente à Ferrugem (2018), de Aly Muritiba, se considerarmos o leitmotiv dos dois filmes: imagens íntimas de uma adolescente que vão parar na Internet, ressignificando a vida da mesma.

Mas em Luna  o caminho é outro. É o de uma postura libertária, que vai sendo construída por uma iniciativa objetivamente pro-sororidade que as alunas na escola de Luna estabelecem.

No meio do caminho surge Emília, menina funcionando num ritmo próprio, distinto do das colegas. Ela chama a atenção de Luna para daí surgir um amor fraternal, passeando circunstâncialmente também pelo desejo das descobertas sexuais.

Todo o resto segue entre erros e acertos que uma proximidade muito íntima estabelece, entrecortado também pela interferência masculina.

De qualquer forma, o que fica de Luna é mesmo a firmeza com a qual Criz Azzi constrói o todo do filme, sempre amarrado com sequências aparentemente despretensiosas mas que definem a força do que ali montou. Exemplos: a brincadeira de baixo do lençol entre Luna, Emília e uma terceira amiga; a tentativa de aproximação sexual de Emília para Luna, registrada num plano aberto e respeitando a intimidade das duas naquele momento.

Há ainda o epílogo catártico para as mulheres na plateia, como se comprovou na sessão de ontem por aqui, o qual só tem a força que tem pela construção cuidadosa de uma dramaturgia que sabe onde quer chegar, e leva suas atrizes junto até o fim.

Curioso, esse desfecho, dirigido por um homem, e proporcionando uma alegria feminina por se deparar com uma espécie de gesto libertário da protagonista. Algo só comparativamente visto, com tanta energia dramática, apenas em Amarelo manga (2002), de Cláudio Assis, com a personagem de Leona Cavali colocando o estúpido personagem de Jonas Bloch em seu devido lugar com um simples levantar da saia.

* Viagem a convite de festival

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