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Festivais

8º Santos (2022) – Um Filme com Celso Marconi

Um homem, muitos mundos. Festival paulista exibe doc inédito sobre Celso Marconi.

Por Luiz Joaquim | 24.06.2022 (sexta-feira)

Hoje (24), às 21h, a cidade de Santos (SP) vai conhecer Celso Marconi. E é provável que o encanto seja imediato.

Acontecerá por meio da exibição na mostra Competitiva do 8º Santos Film Festival – que segue até quarta-feira (29) – do documentário em curta-metragem (22`) Um filme com Celso Marconi (2022), de Helder Lopes e Paulo de Sá Vieira. A projeção acontece no Cine Arte Porto 4.

E por que não dizer “um filme de Celso Marconi” uma vez que Helder e Paulo deixam o jornalista, crítico de arte e cineasta pernambucano assumir o próprio comando do registro da imagem em, pelo menos, dois momentos aqui: quando inicia uma conversa- ensaio com Helder, que é também filho de sua prima Eveline, e quando empunha, o próprio Celso, a câmera em direção a uma das dezenas de obras de artes expostas na sua residência em Olinda.

É subindo pelas escadas, ladeada por tantas dessas obras que Celso amealhou ao longo de sua carreira de mais de 60 anos como crítico, que temos a bela e simbólica sequëncia de abertura de Um filme com Celso Marconi, mas não antes do prólogo com stills feitos em função de uma outra produção (esta fictícia) de Helder e Paulo, também com Marconi, mas ainda em finalização.

Pôster do curta-metragem

A sequência é simbólica porque ela imprime de maneira muito forte a entrada de Celso em seu mundo particular nos últimos anos. Uma espécie de caverna sagrada na qual a arte irradia das paredes e dos aparelhos digitais que trazem o mundo contemporâneo a Celso e o permite estar nele também.

Com a naturalidade e despretensão que lhe é peculiar, o nonagenário Celso comenta com o diretor sobre os filmes que baixa do site making off, dos títulos que assiste por streaming no Mubi e Netflix, dos livros que lê em seu iPad, dos textos que publica no Facebook e ainda ensina ao diretor, seis décadas mais jovem que ele, como enviar uma foto para o colega Paulo, no Rio de Janeiro, após um bate-papo por videochamada; sem esquecer também de dar a ideia de utilizar aquele material da videochamada como conteúdo para integrar o próprio documentário.

Intercalando o Celso de hoje com imagens de arquivos restauradas de alguns de seus filmes em Super-8, realizados entre os 1970 e 1980, Helder e Paulo reaquecem – principalmente para uma jovem e incauta geração – o espírito criativo desse intelectual inquieto e eternamente fresco para o novo que é Celso Marconi.

A integridade ética e preocupação social que se vê nas imagens de arquivos feitas há 30,40 anos pelo cinebiografado mostram o quanto ele estava antenado com o que é pauta incontornável hoje, quando o assunto são os desvalidos, os fragilizados de uma sociedade impiedosa em seu capitalismo e preconceito sexual.

É o mesmo Celso que hoje lê Schopenhauer e depois planeja travar uma batalha de argumentos com alguém por pura diversão, conforme a sua risada marota o entrega após seu comentário.

Destaque para a montagem de Paulo de Sá Vieira, que aproveitou os tempos e as nuances dos dois ‘Celsos’ – a de seus filmes do passado com o Celso em sua caverna de hoje – e tudo sob o som da música Concerto para violino, de Max Bruch, que o próprio intelectual aproveitou em uma de suas obras: Recife Okm (1980).

E destaque ainda para a condução de Helder Lopes despindo ainda mais Celso, um homem que, na verdade, nunca se escondeu (pelo contrário!) mas que também possui seus fantasmas como todos nós.

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