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Críticas

Verão Feliz

Central do Japão

Por Luiz Joaquim | 01.09.2000 (sexta-feira)

Há pouco mais de dois anos, em junho de 98, o Recife conheceu o cinema de Takeshi Kitano. O filme chamava-se Hana-Bi – Fogos de Artifício e foi exibido no Cinema da Fundação por duas semanas. Quando uma explosão de pólvora colorida ilumina o céu, cada perna de fogo segue uma direção distinta. Desta mesma forma, Hana-Bi espalha sua diversificada poesia (de imagens, sons, cores, palavras); e ninguém, eu disse ninguém, sai ileso de tanta angustia retratada pelo policial de Kitano, que é obrigado a conviver com a violência 24 horas por dia. A obra de arte Hana-Bi foi o sétimo longa de cineasta e o primeiro do Japão – depois de 47 anos – a ganhar o Leão de Ouro em Veneza (o anterior foi Rashomon de Kurosawa). Mas o assunto agora é seu filme subsequente, Verão Feliz (Kikujiro, Japão, 1999), exibido nesta sexta (1.set.2000) e segunda (4), na Sessão de Arte.

Quando projetado na edição de Cannes 1999, Verão Feliz deixou um gosto amargo na boca dos críticos do mundo inteiro. Depois de uma rendição unânime à ternura de obra anterior, todos esperavam uma nova paulada na alma com Kikujiro. O nome no título original é o mesmo do personagem interpretado por Kitano. Kikujiro é um mafioso malandro, chato e egoísta que é contratado pela amiga da avó de Masao (Yusuke Sekigushi) – um garoto de nove anos. Ela convoca o gângster para acompanhar o moleque na empreitada que ele resolve assumir durante o verão: atravessar o país em busca de sua mãe. No meio do caminho, entre situação cômicas e dramáticas, o adulto se descobre uma pessoa afetuosa e emocionalmente vinculada ao garoto.

Em maio de 99, Central do Brasil, de Walter Salles Jr, já não era mais novidade nesse planeta, e as comparações foram inevitáveis. Mas daí a pensar que Kitano plagiou Central… já é outra história. Além de minimizar as qualidades de Verão Feliz, a crítica também lembrou de outras referências para Kikujiro. São elas: “Glória”, de John Cassavetes; “Kolya”, de Jan Sverák; e até “O Garoto”, de Chaplin. Enfim… uma coisa é certa. Por mais renomado e respeitado que seja o crítico de cinema, não adianta tentar convencer o espectador que assistiu “Hana-Bi” a deixar de ver “Verão Feliz”. Isso porque, mesmo depois de dois anos, a candura e beleza de “Hana-Bi” ainda ressoa pelo corpo dos recifenses que estiveram na sala da Fundação.

OUTRAS ESTRÉIAS – Nos multiplex têm “Professor Aloprado II – A Família Klump”. Os puristas falam: “Odeio O Professor Aloprado do Eddie Murph. O do Jerry Lewis é muito melhor!”. Pois bem, essa é a hora abrandar a radicalidade, pois desta vez a história é outra, bem boba mesmo, mas consistente o suficiente para dar espaço à galeria de personagem criados por Murphy no primeiro filme. Aqui o gordo professor Sherman está para casar (com Janet Jackson), quando descobre que seu alter-ego, Buddy Love, ainda sobrevive e pode estragar seus planos. O novo roteiro, livre de ser uma adaptação centrada em único personagem, dá margens para Murphy deitar e rolar nos outros quatro ‘coadjuvantes’ da família Klump que ele mesmo interpreta sob impressionante maquiagem.

No sábado (2) tem pré-estréia de “Regras do Jogo” (Rules of Engagement, EUA, 2000). O filme é de Willam Friedkin e traz Tommy Lee Jones e Samuel L. Jackson interpretando coronéis envolvidos em um julgamento militar. O motivo do julgamento reside num comando do passado, que ordenava uma tropa a abrir fogo contra civis depois de defender uma embaixada americana num país do terceiro mundo. Também no sábado tem pré-estréia de “O Auto da Compadecida”. Na terça (5), a pré repete nos cinemas; e na quarta (6) o diretor do vídeo kinescopado, Guel Arraes, vai estar na Universidade Católica de Pernambuco exibindo o making of da produção e conversando com aqueles presentes ao encontro.

Neste mesma quarta tem mais duas pré-estréias nos multiplex: “Revelação”, de Robert Zemeckis (Forrest Gump). Agora Zemeckis envereda para o sobrenatural com pitadinhas de O Sexto Sentido, adoçado com tomadas a la Stigmata. Aqui, Michelle Pfeifer é Claire e tem um casamento perfeito com Norman (Harrison Ford). Mas o sonho vira pesadelo quando Claire começa a see dead people. A morta é um caso antigo do professor de genética vivido por Ford, e não vai deixar o casal em paz até o fim do filme. A outra pré-estréia chama-se “Bater ou Correr”.

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