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Livro: Cinemas do Recife

Memória das salas de projeção no Recife

Por Luiz Joaquim | 05.12.2013 (quinta-feira)

A arquiteta Kate Saraiva dá amanhã (6/12) aos cinéfilos pernambucanos um presente e tanto. Ela lança, às 19h no Museu da Cidade do Recife (no Forte das Cinco Pontas) seu livro “Cinemas do Recife” (120 págs., R$ 30), na verdade um desdobramento de seu trabalho de graduação que investigou aspectos arquitetônicos e urbanísticos das salas de cinema recifesense desde o início do século 20.

Ricamente ilustrado, o livro reúne dezenas de fotografias raras, plantas e desenhos de extintas e de mais recentes salas de projeção na cidade. Colada a esta iconografia estão observações pontuais da autora com relação às opções da forma para o desenho das salas – conforme o estilo predominante na época de sua construção.

Do ponto de vista arquitetônico, Kate contextualiza as opções em Art Déco ou os aspectos modernistas de alguns espaços, sem deixar de lado a funcionalidade (ou não) de espaços que, no passado, não surgiram para abrigar uma sala de cinema, mas foram transformados num cinema. Da mesma maneira, não foram esquecidos pela autora detalhes da evolução de uma arquitetura específica feita para auditorios de projeção, cujos critérios passam por boa visibilidade da tela e questões acústicas.

“À época da graduação eu era bolsista de iniciação científica e quando decidi pelo assunto para o trabalho de conclusão de curso fui atrás uma paixão antiga”, relembra Kate. Foram 18 meses de pesquisa que incluiu idas a todas as seções regionais da Diretoria de Controle Urbano (Dircon), da Prefeitura do Recife – local onde ela trabalha hoje após aprovação em concurso público.

Outra busca que enriqueceu o resultado aconteceu no Arquivo Público, debruçada em períodicos antigos, como “Jornal Pequeno”, “A Província”; além das fotografias antigas descobertas no acervo da Fundação Joaquim Nabuco. “A orientação do arquiteto e pesquisador Geraldo Gomes da Silva foi fundamental para esse trabalho. Lembro que no início ele me disse para ir à principal fonte disso tudo que era Fernando Spencer”, registra Kate.

Com “Cinemas do Recife”, a autora, como ela própria resume, “registrou e resgatou” essa memória que antes encontrava-se espalhada e de forma não sistematizada pelos diversos arquivos públicos. “A cidade perdeu toda uma estrutura que possuía para salas de cinema. E a transformação dos espaços ao longo dos anos foi enorme. Se ao menos houvesse uma lei orientando a evitar a descaracterização das salas de cinema de rua”, concluiu.

EM TEMPO: Ilustrando o lançamento do livro, amanhã (06/12), o evento organiza a projeção dos curtas-metragens “Casa de Imagem”, pelo qual Kleber Mendonça Filho registrou o fim dos cinemas de bairro do Recife nos inicío dos anos 1990; e “Censura Livre”, dirigido por Ivan Cordeiro no início final dos 1970 mostrando a mesma realidade naquela época.

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