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Festivais

19º Tiradentes (2016) – abertura

Madura, mas jovial

Por Luiz Joaquim | 22.01.2016 (sexta-feira)

Conta-se nos dedos de uma mão os festivais ou mostras de cinema no Brasil, entre os mais de 150 por ano que o País produz, aqueles que oferecem simultaneamente consistência crítica e frescor curatorial. A Mostra de Cinema de Tiradentes, que dá partida hoje a sua 19ª edição na histórica cidade mineira, está nesta mão.

Apesar de recair sobre seu programa “Aurora” e o “Transições” os maiores holofotes da mídia – em função de sua natureza competitiva -, a Mostra divide-se em diversos outros programas temáticos, não-competitivos, pensados a partir de uma lógica estética ou temática.

É o caso dos programas “Dissonância”, “Foco”, “Formação”, “Autorais”, “Homenagem”, “Bendita”, “Cena Mineira”, “Praça” e “Mostrinha”. Neste ano, 35 longas-metragens compõem algumas destes programas. Ao todo serão 117 filmes exibidos até 30 de janeiro. Na 9ª edição do “Aurora” – foi criado na 11ª Mostra (2008) -, o programa incluiu na sua seleta lista de sete longas-metragens dois de Pernambuco.

Um deles é o aguardado “Animal Político”, de Tião, pelo qual o cineasta nós apresentará uma vaca (sim, uma vaca) em crise existencial na véspera de Natal, e que decide buscar por sua felicidade. O outro filme é “Índios Zoró: Antes, Agora e Depois?”, de Luiz Paulino dos Santos, no qual ele documenta um reencontro após 30 anos, com os Zoró, hoje evangelizados.

Tião e Paulino concorrerão com “Aracati” (RJ), de Aline Portugal e Julia De Simone; “Banco Imobiliário” (SP), de Miguel Antunes Ramos; “Filme de Aborto” (SP), de Lincoln Péricles; “Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não é um Urso que Dança” (SP), de Thiago B. Mendonça; e “Taego Ãwa” (GO), de Marcela Borela e Henrique Borela.

Pernambuco também está presente em outros dois programas. No “Panorama”, está o curta “Melancia”, Lírio Ferreira. O documentário tem como referência o Recife, com sua crescente verticalização. Confronta seu passado com um futuro incerto. A inspiração do ritmo, assumida por Lírio, é a montagem do clássico “Di” (1977), de Glauber Rocha. O artista Paulo Bruscky participa da obra.

Já o curta “Os Filmes que Moram em Mim”, de Caio Sales, compõe a Mostra Dissonâncias, dedica-se sobre o ato de filmar e suas operações criativas, com a trama tentando instigar reflexões sobre as imagens. Foi gravado em locações nos municípios de Recife, Olinda, Caruaru, Cabo de Santo Agostinho e Timbaúba, entre abril e maio do ano passado.

AUTORAIS – Outra forte atração desta 19ª edição está no programa “Autorais”, proporcionando a primeira sessão pública de obras novas de nomes como Walter Lima Jr. (“Através da Sombra”, amanhã) e Ruy Guerra (“Quase Memória”, domingo). No primeiro filme, Virginia Cavendish se envolve numa trama do gênero fantástico, na pele de uma professora de duas crianças órfãs numa fazenda.

Já em “Quase Memória” o universo fantástico também pauta a história de um jornalista (Charles Fricks) que, ao receber um pacote misterioso, que só pode ser de seu pai Ernesto (João Miguel), que já morreu há muitos anos. Com a situação, o jornalista encontra a si próprio mais jovem e um diálogo de memórias e esquecimentos toma início.

HOMENAGEM – A 19ª Mostra de Tiradentes abre às 21h de hoje prestando homenagens ao cineasta ítalo-brasileiro Andrea Tonacci. Um dos ícones do movimento dos anos 1960 que ficou conhecido como “Cinema Marginal”. Seu filme “Serras da Desordem”, que teve pré-estreia em Tiradentes no ano de 2006, será reapresentado em tributo aos seus dez anos.

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