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Críticas

Macbeth: Ambição e Guerra (2015)

Bela versão plástica e dramatúrgica

Por Luiz Joaquim | 01.01.2016 (sexta-feira)

texto escrito para 24 de dez 2015, publicado 01 de jan 2016

Todos sabem. Se um projeto criado a partir de um texto de Shakespeare contar com os atores certos (leia-se muito competentes), então garante-se que mais da metade do projeto saia exitoso. É o que acontece no nada fácil texto para “Macbeth” que ganha nova versão para o cinemas pelas mãos do diretor Justin Kurzel, sob produção de Iain Canning – que trabalhou com o protagonista Michael Fassbender em “Shame”.

Fassbender, que parece nunca decepcionar, assume o protagonismo aqui, cujo título ficou “Macbeth: Ambição e Guerra” (GB, EUA, Fra., 2015) e estreia hoje. A história do general de confiança do Rei da Escócia que enlouquece enquanto busca assumir o lugar do monarca ganha uma conotação particularmente curiosa hoje, num Brasil que a principal pauta política do País é o desejo de um grupo político pelo impeachment da Presidente da República, Dilma Rousseff.

Assim sendo, este Macbeth tornar-se particularmente interessante em dias presentes, por nos atualizar com alta dose de dramaturgia shakesperiana – que é de textos tradicionalmente elegantes e taciturnos – sobre aqueles que enlouquecem numa busca cega pelo poder.

Como alguns sabem, Macbeth é o principal guerreiro do Rei que passa a acreditar-se quase um imortal e predestinado a ser ele próprio o rei após encontrar bruxas que lhe sussuram seu destino. Atos de crueldado – que Kurzel desenha bem com sua fotografia, trilha sonora e cenografia, tudo celebrado pela força de Fassbender em cena – coloca Macbeth no poder. sempre com o estímulo venenoso de sua esposa Lady Macbeth – Marion Cottilard, que também tem seu grande momento aqui mas, um degrau abaixo do conforto de Fassbender em seu papel.

Lady Macbeth tem sua própria carga de drama, tendo enterrado o único filho ainda bebê e tornado-se estéril. Sua amargura é destilada como um fel que estimula o próprio marido a cometer loucuras. O feitíço vira contra o feiticeiro e Lady Macbeth, ela mesma, também perde a razão (rendendo um grande momento para Cottilard). Com tanta peso, este “Macbeth” deveria ser obrigatório àqueles que estudam interpretação.

LADY – A atriz Natalie Portman foi cogitada (e até anunciada) como a estrela que que vestiria a pele de Lady Macbeth aqui. Ela terminou por deixar o projeto por conta de conflitos na agenda. Sobrou para Marion Cotillard.

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