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Festivais

21. Cine-PE (2017) – debate #1 + abertura

Produtor de “Real” defende seu herói, tão distante do herói do curta “Diamante”.

Por Renata Malta | 28.06.2017 (quarta-feira)

*Foto divulgação, Lana Pinho

Aconteceu na manhã de hoje (28), o primeiro debate entre realizadores do 21º Cine-PE: Festival do Audiovisual. Sediado no Hotel Transamérica, sede do festival, estavam lá Sidney Santiago, pelo curta-metragem Diamante, orçado em R$ 58 mil, e do outro lado Ricardo Fadel Rih, produtor de Real: O plano por trás da história, filme que custou R$ 8 milhões.

Os representantes das obras (ambas projetadas ontem, 27, na abertura do festival) dialogaram sobre as distintas dificuldades e ambições das produções. Santiago veio ao festival pela quarta vez. Falou sobre sua militância e, mais uma vez, da relevância da visibilidade do protagonista negro e homossexual.

Seu filme inicia com a frase “voe como uma borboleta, ferroe como uma abelha”, de Muhammad Ali que, segundo o ator, foi a maior referência para o curta nos seus combates e na defesa dos direitos civis. Ele revelou que uma grande preocupação da equipe é que a obra alcance o público jovem e LGBT. Já Fadel Rih, produtor de Real, se apresenta como “um homem de negócios que entende do mundo artístico”. Disse ser um grande fã de livros espíritas e direcionou seu trabalho para o cinema após a negociação da distribuição do filme Bezerra de Menezes, com a Fox. Situação que ele chama de “case de sucesso”.

Daí por diante, seguiu produzindo filmes como As mães de Chico Xavier e O filme dos espíritos. O desejo de realizar Real… iniciou em outubro de 2012 em antagonismo ao governo do Partido dos Trabalhadores (PT). Uma espécie de resposta a Lula: o filho do Brasil, de Fábio Barreto.

O produtor deixou claro sua vibração ao falar do protagonista antipático de Real… e da forma como o filme também ambiciona atrair o público jovem ao momento histórico.

Para Fadel Rih, o filme não foi feito para agradar partidos, mas, para agradar ao povo. Ele afirma que nenhum dos representados no filme gostou da obra, e provocou no debate dizendo que apenas produtos de varejo agradam a todos.
Conforme o produtor, o Brasil precisa de mais heróis. Curioso que os dois filmes discutidos traziam heróis tão opostos que nos leva a refletir sobre a possibilidade da coexistência de protagonistas na sociedade que foi encenada na tela, e se há mesmo espaço para dois heróis assim, ou se um acaba se tornando o antagonista do outro.

ABERTURA – Na noite de ontem (27), após polemicas e adiamentos, iniciou-se a 21ª edição do festival Cine PE no Cinema São Luiz.

A diretora do festival, Sandra Bertini, abriu a cerimônia em discurso emocionado, compartilhando a origem de sua admiração pelo cinema que, como lembrou, iniciou pelas longas horas que passava durante a infância diante do aparelho de televisão.

A projeção iniciou com as animações, em stop-motion, A lição, A perna cabeluda e o Saci, A menina do leite e Princesas produzidas durante uma oficina realizada pelo festival na edição de 2016.

Los tomates de Carmelo de Danilo Baracho foi primeira obra da mostra competitiva, como curtas pernambucano. O enredo mostra que após a Guerra civil espanhola, Carmelo, um idoso solitário enfrenta dificuldades no cultivo de seus tomates, sem o apoio de seu neto e único herdeiro que está preso.

Na competição nacional, o curta Diamante, o Bailarina de Pedro Jorge, foi representado pelo ator Sidney Santiago. No Cine São Luiz, falou sobre a decisão de manter o filme na programação do festival, argumentando a importância e a necessidade da representatividade negra e homossexual contida no filme. O protagonista Diamante é um pugilista que trabalha fazendo shows como drag queen. Talentoso, o filme mostra que o jovem protagonista sofre preconceito dos colegas de esporte e, também, agressões homofóbicas na rua.

A noite encerrou com o longa de Rodrigo Bittencourt, Real: O Plano por trás da história. Tendo como protagonista o personagem de Gustavo Franco, baseia-se no período de criação e implantação do Plano Real, com um anti-herói típico e um time de economistas sendo mostrados como os bandidos de Cães de Aluguel, de QuentinTarantino, só que aqui contra a hiperinflação.

Na ocasião, Ricardo Fadel Rihan falou longamente sobre o recorte da história, a abordagem, o ritmo e as intenções da produção em ser um “Wall Street brasileiro”.

O discurso foi dividido por vaias e aplausos, algo que simboliza bem a recepção do público ao festival esse ano.

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