
79ª Cannes (2026) – Histoires Parallèles
Novo Asghar Farhadi desaponta
Por Ivonete Pinto | 15.05.2026 (sexta-feira)
— Este texto contém spoilers
Decepção. A sinopse já permite antever o principal problema deste novo filme do iraniano Asghar Farhadi que estreou ontem em Festival de Cannes: em busca de inspiração para seu novo romance, Sylvie (Isabelle Huppert) começa a espionar seus vizinhos do outro lado da rua.
Quantas vezes não vimos esta história? E convenhamos que o título também não é um primor de invenção, pois já entrega a estrutura do enredo.
Tudo bem, um bom roteirista pode fazer chover com um enredo “garoto encontra garota”, e é isso que se espera de um roteirista reconhecido e premiado em Cannes. Sem falar que bisou o Oscar de Filme Estrangeiro com A Separação (2011) e O Apartamento (2016). Trabalha sempre em família, assinando os roteiros ao lado do irmão, Saeed Farhadi.
Tudo isso para dizer que a expectativa em torno de Histoires Parallèles (FR; IT; BE, 2026) era grande. Além do mais, com um elenco de peso como Isabelle Huppert – estupenda, apesar de viver uma personagem clichê -, havia a esperança de encontrar algo original.

Asghar Farhadi dirige Isabelle Huppert nos bastidores de Histoires Parallèles
Até a metade, o filme sustenta a atenção com algumas reviravoltas. Mas, a partir do momento em que percebemos que o que é visto pode ser imaginação da escritora Sylvie, o jogo fica meio perdido. Resta ao público apenas apreciar as performances de Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Pierre Niney e Adam Bessa. Catherine Deneuve aparece em apenas uma cena e está lá para confirmar o prestígio de Farhadi. Mas confirmar isso para quê?
Essa é uma reflexão que exige mais tempo para se desenvolver, porém talvez uma explicação para a falta de criatividade de Farhadi esteja no fato de que não mora mais no Irã. Desde que começou a morar e filmar na França, afastou-se de um cinema humanista, que tinha forte ligação com o contexto de seu país. Pode vir a ser mais um cineasta deslocado pelas circunstâncias políticas, perdendo aos poucos a inspiração e o prumo.















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