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Festivais

75. Globo de Ouro (2018) – premiação

É um dos prêmios da mais rica indústria cinematográfica do mundo e… “Time’s up”, ou “é chegada a hora!”

Por Luiz Joaquim | 08.01.2018 (segunda-feira)

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Noite histórica, ontem (7), em Hollywood, quando o jantar da entrega do troféu do 75º Globo de Ouro foi prioritariamente pautado pela voz das mulheres e pelo respeito a elas. Elas, que protagonizaram a cerimônia e destacaram-se nas premiações, tiveram indubitavelmente o mais marcante momento na fala, de quase nove minutos, da apresentadora, produtora e atriz Oprah Winfrey, ao receber o troféu Cecil B. DeMille.

Uma espécie de unanimidade na mídia norte-americana, Oprah, começou lembrando que há 54 anos ela era uma criança muito pobre quando viu Sidney Poitier pela tevê, subindo ao palco para receber o primeiro Oscar entregue a um homem negro. E que há 36 anos ele recebeu o troféu que agora chegava a ela. Pontuou que levou todo esse tempo para uma mulher negra chegar ali e que certamente, naquele momento, alguma garotinha negra estaria vendo a premiação e tomando-a como exemplo.

Daí por diante [leia abaixo seu discurso na íntegra, transcrito em inglês], Oprah elogiou a imprensa, criticando por tabela a política do presidente Donald Trump, e agradeceu às mulheres anônimas que tiveram a coragem de abrir suas vozes contra abusos.

Encerrou com a expressão – Time’s up [“chegou a hora”] – que se tornou símbolo deste tão emblemático momento no mundo e em particular na indústria cinematográfica, cujo embrião parecer ter sido gerido em outro discurso histórico, feito por Patrícia Arquette em 2015, na premiação do Oscar por Boyhood. Ali a atriz instigou a todas as cidadãs a cobrarem por seu direito de igualdade no trabalho, uma vez que elas sempre lutaram pelos direitos de todos, a hora agora era de lutarem por si próprias.

PREMIAÇÃO – Toda a noite do Globo de Ouro 2018 foi pautada pela beleza da alegria e orgulho das mulheres em sua luta – com brilho nos olhos de Frances MacDormand (melhor filme-drama e melhor atriz por Três anúncios para um crime – tendo levado também melhor roteiro e ator coadjuvante para Sam Rockwell); e de Greta Gerwig com Saoirse Ronan (respectivamente diretora/roteirista do melhor filme comédia e atriz pelo mesmo filme, Lady bird: É hora de voar); além de Reese Whitherspoon, Nicole Kidman e Laura Dern (produtora, atriz a atriz coadjuvante, respectivamante, para a minissérie de TV, Big little lies – que também premiando Alexander Skarsgård como ator coadjuvante); sem falar na eleição de The handman tale como melhor série-drama para a tevê, com direito  de troféu de melhor atriz para Elisabeth Moss, para este produto que é tão duro dramaturgicamente mas tão importante quando se pensa na causa feminina.

Guillermo del Toro também protagonizou o seu momento de comoção, quando pediu para abaixar o volume da musiquinha que expulsa aqueles que extrapolam o tempo de fala. Sua justificativa:  “levei 25 anos para ele chegar aqui, me dê um minuto”. Depois de falar com carinho da relação com os  monstros em seus filmes, usou o tempo extra para agradecer às mulheres na sua equipe.  Del Toro foi eleito melhor diretor por A forma da água. E foi igualmente emocionante ver Kirk Douglas no palco da premiação, aos 102 anos, lúcido e brincando com a nora Catherine Zeta-Jones

O único ponto destoante foi a atitude de James Franco ao ser premiado como melhor ator pela comédia Artista do desastre – filme que dirigiu, escreveu e protagonizou. Feito a partir de uma história real, Franco interpreta o Tommy Wiseau (que estava na cerimônia ontem). No filme, ficamos conhecendo o esforço de Tommy para produzir, dirigir e atuar em seu próprio filme – The room – considerado tão desastroso que chegar a ser cômico.

Ao subir no palco, Franco fez questão de chamar o verdadeiro Tommy, mas quando este tentou falar ao microfone Franco o impediu empurrando-o. Resultado: após a fala de Franco, no caminho aos bastidores, para onde todos seguem para dar entrevista à imprensa, Tommy desviou do trajeto e voltou para o seu cantinho, no fundo do teatro. Nada mais coerente da parte de Tommy.

— Cinema –

Melhor Filme – Drama

  • “Três anúncios para um crime”

Melhor Filme – Comédia ou musical

  • “Lady Bird: É hora de voar”

Melhor diretor

  • Guillermo del Toro (“A forma da água”)

Melhor ator de filme – Drama

  • Gary Oldman (“O destino de uma nação”)

 

Melhor atriz de filme – Drama

  • Frances McDormand (“Três anúncios para um crime”)

Melhor ator de filme – Comédia ou Musical

  • James Franco (“Artista do desastre”)

Melhor atriz de filme – Comédia ou Musical

  • Saoirse Ronan (“Lady Bird: É hora de voar”)

Melhor atriz coadjuvante de filme

  • Allison Janney (“Eu, Tonya”)

Melhor ator coadjuvante de filme

  • Sam Rockwell (“Três anúncios para um crime”)

Melhor roteiro de filme

  • Martin McDonagh (“Três anúncios para um crime”)

Melhor animação

  • “Viva: A vida é uma festa”

Melhor filme em língua estrangeira

  • “Em pedaços”

Melhor trilha sonora para filme

  • Alexandre Desplat (“A forma da água”)

Melhor canção original para filme

  • “This is me”, de “O rei do show”

— Tevê —

Melhor série – Drama

  • “The Handmaid’s Tale”

Melhor série – Musical ou Comédia

  • “The Marvelous Mrs. Maisel”

Melhor série limitada ou filme para a TV

  • “Big Little Lies”

Melhor ator de série – Drama

  • Sterling K. Brown (“This is us”)

Melhor atriz de série – Drama

  • Elisabeth Moss (“The Handmaid’s Tale”)

Melhor ator de série – Musical ou Comédia

  • Aziz Ansari (“Master of None”)

Melhor atriz de série – Musical ou Comédia

  • Rachel Brosnahan (“The Marvelous Mrs. Maisel”)

Melhor atriz de minissérie ou filme para TV

  • Nicole Kidman (“Big Little Lies”)

 

Melhor ator de série limitada ou filme feito para TV

  • Ewan McGregor (“Fargo”)

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV

  • Laura Dern (“Big Little Lies”)

Melhor ator coadjuvante para série, minissérie ou filme feito para TV

  • Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”)

— Transcrição (em inglês) complete do discurso de Oprah Winfrey ao receber o troféu Cecil B. DeMille:

 

In 1964, I was a little girl sitting on the linoleum floor of my mother’s house in Milwaukee watching Anne Bancroft present the Oscar for Best Actor at the 36th Academy Awards. She opened the envelope and said five words that literally made history: “The winner is Sidney Poitier.” Up to the stage came the most elegant man I had ever seen. I remember his tie was white, and of course his skin was black—and I’d never seen a black man being celebrated like that. And I tried have tried many, many, many times to explain what a moment like that means to a little girl, a kid watching from the cheap seats as my mom came through the door bone tired from cleaning other people’s houses. But all I can do is quote and say that the explanation in Sidney’s performance in Lilies of the Field: “Amen, amen, amen, amen.”

In 1982, Sidney received the Cecil B. DeMille award right here at the Golden Globes and it is not lost on me that at this moment, there are some little girls watching as I become the first black woman to be given this same award. It is an honor—it is an honor and it is a privilege to share the evening with all of them and also with the incredible men and women who’ve inspired me, who’ve challenged me, who’ve sustained me and made my journey to this stage possible. Dennis Swanson who took a chance on me for A.M. Chicago. Quincy Jones who saw me on that show and said to Steven Spielberg, “Yes, she is Sophia in The Color Purple.” Gayle, who’s been the definition of what a friend is and Stedman, who’s been my rock. Just a few to name.

I’d like to thank the Hollywood Foreign Press Association, because we all know the press is under siege these days. But we also know that it is the insatiable dedication to uncovering the absolute truth that keeps us from turning a blind eye to corruption and to injustice. To—to tyrants and victims and secrets and lies. I want to say that I value the press more than ever before as we try to navigate these complicated times, which brings me to this: What I know for sure is that speaking your truth is the most powerful tool we all have. And I’m especially proud and inspired by all the women who have felt strong enough and empowered enough to speak up and share their personal stories. Each of us in this room are celebrated because of the stories that we tell, and this year, we became the story.

But it’s not just a story affecting the entertainment industry. It’s one that transcends any culture, geography, race, religion, politics, or workplace. So I want tonight to express gratitude to all the women who have endured years of abuse and assault because they, like my mother, had children to feed and bills to pay and dreams to pursue. They’re the women whose names we’ll never know. They are domestic workers and farm workers. They are working in factories and they work in restaurants and they’re in academia and engineering and medicine and science. They’re part of the world of tech and politics and business. They’re our athletes in the Olympics and they’re our soldiers in the military.

And there’s someone else, Recy Taylor, a name I know and I think you should know, too. In 1944, Recy Taylor was a young wife and a mother. She was just walking home from a church service she’d attended in Abbeville, Alabama, when she was abducted by six armed white men, raped, and left blindfolded by the side of the road coming home from church. They threatened to kill her if she ever told anyone, but her story was reported to the NAACP where a young worker by the name of Rosa Parks became the lead investigator on her case and together they sought justice. But justice wasn’t an option in the era of Jim Crow. The men who tried to destroy her were never persecuted. Recy Taylor died 10 days ago, just shy of her 98th birthday. She lived as we all have lived, too many years in a culture broken by brutally powerful men. For too long, women have not been heard or believed if they dared to speak their truth to the power of those men. But their time is up. Their time is up.

Their time is up. And I just hope—I just hope that Recy Taylor died knowing that her truth, like the truth of so many other women who were tormented in those years, and even now tormented, goes marching on. It was somewhere in Rosa Parks’s heart almost 11 years later, when she made the decision to stay seated on that bus in Montgomery, and it’s here with every woman who chooses to say, “Me too.” And every man—every man who chooses to listen.

In my career, what I’ve always tried my best to do, whether on television or through film, is to say something about how men and women really behave. To say how we experience shame, how we love and how we rage, how we fail, how we retreat, persevere, and how we overcome. And I’ve interviewed and portrayed people who’ve withstood some of the ugliest things life can throw at you, but the one quality all of them seem to share is an ability to maintain hope for a brighter morning, even during our darkest nights. So I want all the girls watching here and now to know that a new day is on the horizon! And when that new day finally dawns, it will be because of a lot of magnificent women, many of whom are right here in this room tonight, and some pretty phenomenal men, fighting hard to make sure that they become the leaders who take us to the time when nobody ever has to say “me too” again. Thank you.

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