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Entrevistas

Entrevista: Hermila Guedes (2005)

A pernambucana Hermila Guedes é o nome da vez no cenário cinematográfico.

Por Luiz Joaquim | 30.05.2018 (quarta-feira)

Em 2005, propusemos à editoria de cultura do jornal Folha de Pernambuco uma entrevista com a iniciante atriz Hermila Guedes. Seria o primeiro grande espaço que a mídia daria exclusivamente a jovem atriz de Cabrobó (PE). Era, para nós, claro que Hermila estava prestes a alçar vôos bastantes altos na carreira. A entrevista se deu após as filmagens do primeiro longa que ela protagonizou (O céu de Suely, ainda com título provisório de Rifa-me). Estávamos distantes 9 meses da notícia de que o filme estrearia na mostra ‘Horizonte’, em Veneza 2006.  Em 2018 a atriz completa 20 anos de carreira, mas, como pensava Hermila quando ainda estava no início de sua estrada profissional. Quais seus medos, conquistas até ali, próximos desafios, expectativas? Leia aqui.

– texto publicado em 22 de outubro de 2005 (sábado) na Folha de Pernambuco. Fotos de Filipe Falcão.

Há exato um mês, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco exibiu uma mostra com a recente safra de curtas-metragens do cinema pernambucano. Dos quatro filmes de ficção ali programados, um rosto em comum aparece em três deles: Entre paredes; O homem da mata e Copo de leite, além de aparecer no longa-metragem de Marcelo Gomes, Cinema, aspirinas e urubus,  exibido no Festival de Cannes 2005, e com estreia nacional programada para 11 de novembro.

O “rosto” será protagonista de Rifa-me (nome provisório) do novo longa do diretor Karin Ainouz (o mesmo de Madame Satã, que lançou Lázaro Ramos para o Brasil). Hermila Guedes, 24 anos, atriz pernambucana, natural de Cabrobó, que em menos de um ano deverá ganhar todas as atenções da mídia nacional e, talvez, internacional, conforme a performance de Rifa-me nos principais festivais de cinema no estrangeiro.

Pode-se dizer que foi Adelina Pontual quem a “descobriu” para o cinema quando, em 1999, a escolheu para atuar no curta O pedido. Ali, aos 18 anos, Hermila contracenava com Geninha da Rosa Borges, interpretando a garota que ajudava uma senhora com seu último desejo. “A minha inexperiência na época não me deixava saber que eu estava iniciando ao lado da mulher mais prestigiada do teatro pernambucano”, lembra Hermila que, pela sua atuação, ganhou logo o prêmio de melhor atriz no então 4º Festival de Cinema do Recife (2000) e o CineCeará do mesmo ano.

Logo na sequência, atuou no projeto Assombrações do Recife velho, através de Adelina, no episódio A velha branca e o bode velho, tendo ainda participado de A casa da rua São João, de Lírio Ferreira.  “Naquela época, ainda encarava minhas participações no cinema apenas com uma atividade prazerosa, não tinha uma perspectiva profissional. Ainda hoje continua sendo um prazer, claro, mas sei que devo investir na minha formação como atriz, mesmo porque vejo que é a única coisa que sei fazer”, comenta, com seu sorriso envolvente.

Ao lembrar da própria ingenuidade no início da carreira, a atriz recorda que pensava, então, que a partir dali iria “chover” convites para outros projetos. Não aconteceu. Só voltou a trabalhar na frente das câmeras três anos depois, quando Antônio Carrilho a convidou para O homem da mata. “Tanto Carrilho quanto Jura (William Cubits) – diretor de Copo de leite – já eram conhecidos meus quando me chamaram para trabalhar”, relembra a sertaneja.  Quatro mulheres protagonizam o curta de Cubits, mas, não por acaso, é a imagem de Hermila que estampa o cartaz da produção.

Em Entre paredes, a coisa foi diferente. Hermila havia deixado um currículo na Set Produções para atuar no filme de Eric Laurence, mas não conseguira o papel de imediato. “Quando soube que o roteiro pedia uma mulher morena, bonitona e gostosona, vi que não tinha chance”, diz Hermila, que chama à feminilidade mais pela delicadeza do que pela extravagância. Num segundo momento, Eric viu os ensaios que Hermila havia feito para Aspirinas… e concluiu que ela era a pessoa certa para seu filme. “O que me chamou a atenção foi a delicadeza do seu olhar”, lembra o diretor.

“Quis me preparar melhor para Entre paredes, uma vez que ali teria uma participação mais consistente na história, mas não pude porque na mesma época estava envolvida na peça Angu de sangue,de Marcondes Lima.  De qualquer forma, a atriz revela que aprendeu muito com a participação e diz que  pela primeira vez sentiu os contratempos comuns ao ofício  de atuar para o cinema.

A notícia de que Marcelo Gomes  estava fazendo testes para Aspirinas… veio por intermédio do produtor João Vieira Jr., da Rec Produtores  Associados (a mesma de O pedido). “Fiz o teste para interpretar Adelina, personagem que acabou ficando para Fabiana Pirro. Eu faço Jovelina, um personagem criado depois”.

Não por coincidência, Aspirinas… e Entre paredes foram exibidos juntos há poucas semanas no último Festival do Rio. Para surpresa de Hermila, muitos espectadores não a identificaram como a mesma atriz: “Achei isso ótimo, pois mostrou o quanto posso convencer de forma versátil, apesar de meus personagens serem quase todos interioranos”.

Esse talento chamou a atenção de Karin Ainouz. Escalada inicialmente para um papel secundário, Hermila ganhou a oportunidade de protagonizar Rifa-me, longa que conta a história de uma menina que rifa o próprio corpo porque precisa de dinheiro. Orientada por Ainouz, a atriz não pôde adiantar nada sobre o filme, que deve ser lançado em 2006) mas, depois de dois meses e meio filmando em Iguatú (CE), Hermila conta seu maior proveito da experiência: “Eduquei minha concentração. Aprendi a relaxar com a presença da câmera, de muita luz e com o meu cabelo (risos). Vou levar essa lição para todos os meus trabalhos”.

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