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Críticas

Voo noturno

Em seu trailer, “Voo Noturno” vendia um filme de terror, mas a coisa é bem pior

Por Luiz Joaquim | 23.07.2018 (segunda-feira)

– publicado originalmente no jornal Folha de Pernambuco em 9 de setembro de 2005.

Há menos de dois meses esteve em cartaz  Amaldiçoados, filme de Wes Craven sobre jovens lobisomens para jovens espectadores. O cineasta, ídolo de adolescentes de hoje e dos anos 1980 interessados em thrillers com horror e humor é conhecido pela sua cria mais célebre: Fred Krueger, de A Hora do Pesadelo (1984). Hoje entra em cartaz Vôo noturno, mais um de seus trabalhos, que desta vez não tem nada de sobrenatural em sua trama, ao contrário do que seu trailer vinha sugestionando nos últimos 30 dias, quando rodava nos cinemas da cidade.

Para quem não viu, o bom trailer de Voo noturno, ele sugeria um romance entre Cillian Murphy (de Batman Begins) e Rachel McAdams (de Meninas malvadas e Diário de uma paixão) enquanto se conheciam num vôo noturno, mas finalizava com os olhos do rapaz avermelhando e dando a ideia que dali viria um filme medonho.

Se o final do trailer “enganava” o espectador quanto à sua ideia romântica do início, ele (o trailer) também engana o espectador quanto ao fio de tensão que vai conduzir o filme propriamente. Voo Noturno não é um filme com assombrações, não é um filme sobre sequestro, nem sobre terrorismo a três mil pés de altitude (embora remeta a este assunto pela proximidade temporal com o ainda recente 11 de setembro).

Toda a tensão aqui pode ser resumida a simples informação que um homem (Murphy) obriga uma desconhecida (McAdams) a fazer algo que ela não quer. Ela não pode fugir, ela não pode pedir socorro. Ela só pode atendê-lo ou ficará traumatizada pelo resto da vida. Voo noturno se resume a isso e isso não é pouco. Mas não é pouco aqui porque o que circunda a produção é a direção padrão (mas adequada e segura) de Craven, e o roteiro envolvente de Carl Ellsworth.

Nos 30 primeiros minutos, Craven e Ellsworth não só apresentam muito bem a personagem de McAdams (a gerente de um hotel cinco estrelas que goza de autoridade e respeito de seus hóspedes influentes), como também nos envolve com o possível interesse romântico com o qual o galanteador Murphy se aproxima dela durante um check-in. Num segundo momento, já no avião, o pavor toma conta da moça ao descobrir a real intenção do rapaz, enquanto que ele, calmo, só deseja concluir um trabalho.

O elenco liderado pela dupla de jovens atores revela-se uma ótima surpresa, particularmente quando contracenam juntos. Murphy, que em Batman Begins também fazia um vilão, lembra um jovem William Dafoe “do mal”, enquanto McAdams, com sua beleza e sorriso honesto, deverá brilhar bastante em Hollywood.

 

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