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Críticas

Tartarugas Podem Voar

Pequenos guerreiros dos conflitos reais

Por Luiz Joaquim | 12.10.2018 (sexta-feira)

— publicado originalmente em 28 de Julho de 2005 no Jornal Folha de Pernambuco.

Mostrar o impacto da guerra sobre as crianças não é um expediente novo no cinema. Pior, é uma opção que pode se prestar ao mais raso dos sentimentalismos. Não é o que se vê em Tartarugas podem voar, co-produção entre Iraque e Irã, e o primeiro filme de ficção rodado na terra de Saddam Hussein depois da queda do ditador. Triste – quase no limite do insuportável – o drama dirigido pelo curdo Bahman Ghobadi passa ao largo da pieguice ao manter um olhar absolutamente sóbrio (e ainda assim muito humano) sobre seus personagens.

Passado num campo de refugiados na fronteira entre o Iraque e a Turquia, o filme mostra como os muitos órfãos deixados pelos intermináveis conflitos na região se viram para sobreviver, quase sempre com mais sucesso do que os próprios adultos. Ghobadi transcende a estética típica da escola iraniana de cinema dando vida própria e densidade psicológica a seus pequenos guerreiros. E, de maneira nada óbvia, faz de seu filme um intenso libelo político pela paz, sem apelar para slogans ou metáforas baratas. Se o resultado final pode parecer forte demais para alguns, é bom ter em mente que a realidade pode ser ainda mais cruel.

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