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Reportagens

Pernambuco terá o mais sofisticado cinema (2004)

Em julho [de 2004], Shopping Guararapes inaugura 12 salas, incluindo uma com o certificado THX

Por Luiz Joaquim | 12.07.2020 (domingo)

– reportagem publicada originalmente na página 6 do caderno Programa do jornal Folha de Pernambuco, em 21 de abril de 2004 (quarta-feira)

Em 1998 o público pernambucano passou por uma revolução no habito de ir ao cinema. Chegava ao Estado seu primeiro complexo de cinemas, instalando-se no Shopping Recife. De lá até hoje, nenhum outro grande investimento na área causou tanto rebuliço quando a novidade que deve inaugurar no próximo mês de julho. Trata-se das 12 salas de cinema que o grupo espanhol Box Cinemas coloca em funcionamento na inauguração da quarta etapa do Shopping Guararapes. O complexo será o único no Norte/Nordeste a contar com o selo de qualidade THX, da Lucasfilm, empresa de George Lucas.

No Brasil, apenas três complexos operam com o certificado do “Senhor Guerra nas Estrelas”. Um é o Kinoplex Itaim, na capital paulista, outro no Kinoplex Parque Dom Pedro, em Campinas, ambos do grupo Severiano Ribeiro, e o terceiro, também em Campinas, é do Box Cinemas. O grupo espanhol opera ainda em São Gonçalo, RJ (oito salas), São Luiz, MA (dez salas) e João Pessoa, PB (oito salas), está última com previsão de abertura em pouco mais de 30 dias.

O investimento da Região Metropolitana do Recife é o maior que a empresa faz no Brasil. De olho também no mercado venezuelano, Miguel Fontanet, presidente da Box Cinemas, afirma que Jaboatão dos Guararapes atraiu a empresa por mostrar uma crescente densidade demográfica. “É interessante também notar o entrelaçamento da cidade com Recife”, complementa o empresário espanhol.

Eduardo Lemos Filho, diretor executivo do Shopping Guararapes, informa que a chegad da empresa no Estado nasceu de interesses convergentes entre o grupo estrangeiro e o centro de compras de Jaboatão. “Havíamos feito uma pesquisa que apontava uma oferta reprimida no mercado para esse serviço”, revela. A expectativa é que o fluxo de frequência no shopping jaboatonense aumente entre 20% e 40%  até dezembro com a ativação do novo bloco de entretenimento no estabelecimento – que envolve também nova praça de lazer, gastronômica e novo edifício garangem.

O novo complexo de cinema irá somar 2.700 poltronas divididas entre cinemas com 162 lugares (salas 2 a 4 e 9 a 11); com 213 lugares (salas 1, 5, 8 e 12) e 460 lugares (salas 6 e 7). Para se ter uma ideia da dimensão dessas últimas, basta saber que elas terão, individualmente, 84 lugares a mais do que as maiores salas da concorrente UCI/Ribeiro no Recife (as salas 3 e 8, com 376 poltronas cada uma).

As duas salas gigantes da Box Cinemas obedecem aos rígidos padrões arquitetônicos do certificado de qualidade THX – que, só para usufruir da licença é preciso desembolsar 20 mil dólares. George Lucas desenvolveu o programa de qualidade em 1983 (e o inaugurou em O retorno de Jedi). A ideia era assegurar ao espectador a percepção cinematográfica com o máximo de conforto e fidelidade visual e acústico. As três letras-identidade do certificado vem do personagem vivido por Robert Duvall na ficção científica THX-1138 (EUA, 1971), primeiro longa-metragem rodado por Lucas.

Um cinema com o selo THX representa, simplesmente, a mais sofisticada estrutura em exibição de filmes no mundo. O rigor é tanto que em cidades como Paris e Londres existem apenas duas salas com o certificado. No mundo inteiro, cerca de 3.000 cinemas operam com a marca. Metade deles estão nos Estados Unidos.

Assistir a um filme num cinema THX significa não ter de sofrer por sentar em alguma poltrona mal localizada. Elas não existem. O projeto arquitetônico defende grande inclinação e traz exigências na curvatura da tela e na distância entre as poltronas. Um cálculo diz que o espectador sentado na poltrona do canto da última fila precisa de uma angulação de 26 graus para enxergar toda a tela sem distorção. As salas THX oferecem 36 graus. A distribuição do som também é democrática. Nenhuma localização da sala pode ser atrapalhada por som distorcido ou ruído vazando da sala ao lado. Por isso, três coberturas de gesso e lã mineral obstruem a possível ressonância entre a parede e o fundo da tela.

Algumas salas do Box Cinemas vão operar tecnologia de som que o pernambucano já conhece dos multiplex no Shopping Recife, Tacaruna, Boa Vista e Cinema da Fundação. São os sistemas Dolby SR, Digital e Dolby Digital Surround EX. O primeiro e o segundo oferecem quatro canais de distribuição de som: um direito, um central e um esquerdo, situados atrás da tela, e outro ambiente, ao redor da sala.

O Surround EX conta com sete canais: um direito, um central, um esquerdo e um subwoofer (para sons graves), todos por trás da tela. Além dos canais esquerdo e direito nas laterais do cinema, o sétimo canal funciona exatamente atrás do público. Essa via extra de som intensifica o realismo em cenas de tensão. Por exemplo, você vai “sentir” monstros circulando pela sala, achar que aviões estão voando por cima de sua cabeça, ou ainda sentir-se exatamente no meio de um temporal.

Com a chegada do complexo Box Cinemas, o diretor Eduardo Lemos Filho informa que as duas salas do grupo Art Films serão desativadas em junho, 30 dias antes da inauguração das super-salas. Agora é esperar para “sentir”o novo cinema em Jaboatão dos Guararapes.

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