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Festivais

15º Tiradentes (2012) noite 3

Poesia e humor carioca ocupam a Mostra

Por Luiz Joaquim | 23.01.2012 (segunda-feira)

TIRADENTES (MG) – Dentro do panorama de 31 longas-metragens selecionados aqui para esta 15a Mostra de Cinema de Tiradentes, foram reservadas para o domingo a pré-estreia nacional de dois cariocas: “Bruta Aventura em Versos”, de Letícia Simões, e “Paraíso aqui Vou Eu”, do incansável Cavi Borges com Walter Daguerre.

Em “Bruta Aventura…” a poetisa Letícia estreia num longa-metragem escarafunchando sobre a vida e obra de Ana Cristina César (1952-1983), uma outra poeta normalmente vinculada a poesia marginal carioca dos anos 1970. Como diz a sinopse, o doc. “é uma tentativa de agarrar, ainda que no ar, a escritora Ana C.”

A estratégia narrativa de Letícia foi tradicional e eficiente nessa tradição. Alternou trechos dos poemas íntimos e ao mesmo tempo “traiçoeiros” de Ana com depoimentos de jovens escritoras contemporâneas, como Laura Liuzzi e Alice Sant`Anna, e personalidades contemporâneos da poetisa – como Armando Freitas Filho, Heloisa Buarque de Holanda, o poeta Chacal ou os atores Paulo José e sua filha Ana Kutner, que enceram em 2010 a peça “Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César”.

Para os ignorantes da obra de Ana C. , “Bruta Aventura…” surge como um sedutor convite para conhecê-la, mesmo àqueles que torcem o nariz para o assunto poesia. Letícia foi feliz aqui na escolha dos poemas que mostra e com os depoimentos ora definidores ora cambaleantes (e por isso mesmo belos) pela experiência dos entrevistados em ter vivido os poemas de Ana C.

O filme abre com uma imagem rara, de uma entrevista da cinebiografada concedida para a televisão por ocasião do lançamento do livro “A Teus Pés”, em 1982, um ano antes de cometer suicídio aos 31 anos.

A atmosfera da ficção “Paraíso aqui Vou Eu” segue para outra direção, a do humor juvenil. No filme Francisco (Guilherme Piva) é um jornalista quarentão sem dinheiro, que tem como melhor amiga a ex-mulher Sarah (Solange Badim). Ambos se envolvem com uma jovem (Natália Garcez) que vai redefinir a relação dos dois. Enquanto isso, Francisco vai seguindo o conselho amoroso do amigo imaginário Chicão (Álamo Facó), lembrando o filme “Sonhos de um Sedutor” (1972), com Woody Allen.

“Paraíso…” não inicia bem. A encenação acelerada nos diálogos distrai do conteúdo e chama a atenção para a própria encenação, só que pelos motivos errados. As boas situações, o roteiro bem amarrado e a ótima presença de Facó na tela vão, entretanto, tornando o filme mais próximo do espectador a ponto das falhas não importarem mais. “Paraíso…” começa então a ganhar pontos e mostra-se como uma interessante alternativa para o cinema brasileiro, aquele que dialoga com o espectador sem meias palavras e com leveza, mas que infelizmente, ainda não encontrou um canal de distribuição para as salas de cinema do País.

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