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Reportagens

Hoje é Domingos

Mostra dá oportunidade de conhecer obras raras do cineasta carioca

Por Luiz Joaquim | 14.01.2014 (terça-feira)

Há quem o chame de o “Woody Allen brasileiro”, muito embora nos anos 1960, antes mesmo de Allen surgir no cinema, sua produção remetesse à algumas obras de François Truffaut (1932-1984). Ele é Domingos Oliveira, escritor, dramaturgo e cineasta carioca cuja carreira de cinco décadas é lembrada pelo Canal Brasil a partir de hoje com a exibição – toda terça-feira até 11 de março – de nove de seus filmes além de uma documentário sobre a longa estrada criativa que o artista ainda permanece percorrendo.

Muito embora o canal pago anuncie a programação especial como comemorativa pelos 50 anos de carreira, Domingos está por trás das câmeras há no mínimo 55 anos. Em 1959, aos 23 anos, foi ele, por exemplo, quem trabalhou ao lado de Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) como segundo assistente na direção do curta-metragem “O Poeta do Castelo”, no qual retrata lindamente um dia comum na vida de Manuel Bandeira (1886-1968).

O documentário incluído na mostra foi “Domingos” (2011), dirigido pela atriz Maria Ribeiro – que atuou em dois filmes do cineasta: “Separações” (2002) e “Carreiras” (2007, exibe 18/02). Abrindo a programação hoje às 23h15 (horário do Recife) o doc. de Ribeiro faz um registro afetuoso de seu protagonista após sete anos de gravações intimistas. Ainda hoje, após o longa, é exibida também a pérola chamada “Vida Vida” (1977).

Feito originalmente por encomenda pela TV Globo, “Vida Vida”, com seus 56 minutos de duração, daria partida a uma série em que o autor discutiria a moral e ética do homem contemporâneo, tendo como referências grandes autores da literatura universal. A série, entretanto, foi abortada uma vez que os executivos da emissora entenderam que o resultado não seria alcançado pelo seu público médio.

O único episódio a ficar pronto – mas sem ter ido ao ar nos anos 1970 – foi aquele que exibe hoje, “Os Caseiros”, com uma surpreendente performance de Antônio Fagundes. No drama, Fagundes é um contador que, com a esposa grávida, decide largar o emprego por ser explorado e decide sair da cidade grande, baixando seu nível social para ir trabalhar como caseiro num sítio em Teresópolis (RJ).

O melhor da mostra que o Canal Brasil disponibiliza está exatamente nas produções mais antigas e menos conhecidas do realizador. À exceção de “Todas as Mulheres do Mundo” (1967, exibe 21/01) – seu primeiro longa-metragem e aquele pelo qual ainda é lembrado, tendo também projetado a então namorada Leila Diniz (1945-1972) aos 22 anos -, outros títulos feitos por Domingos nos anos 1960 e 1970 merecem tanto respeito cinematográfico quanto o seu debut.

Ainda gozando do prestígio de “Todas as Mulheres…” o cineasta fez no ano seguinte o leve e alegre “Edu, Coração de Ouro” (1968, exibe 28/01), com o mesmo Paulo José do primeiro filme. Ele interpreta o papel título como um inocente garoto carioca da zona sul, que vive a flertar com várias mulheres e gozar a vida como se fosse um eterno domingo. Sua rotina muda quando conhece a diferente Tatiana (Leila Diniz).

Crise no cinema: 20 anos de pausa
Em 1969, com dois longas-metragens bem recebidos pelo público (mas não pela crítica de então) Domingos Oliveira continuou explorando o humor ao realizar em 1969 “As Duas Faces da Moeda” (exibe dia 11/02 na mostra do Canal Brasil).

Como num universo surrealista ou fantástico, o cineasta apresenta aqui um velho funcionário público, cansado de trabalhar há 20 anos na mesma repartição. Certa noite, o Anjo da Morte lhe aparece informando que seu fim está marcado para o dia seguinte. É quando o nosso herói, como em “O Sétimo Selo”, de Bergman, passa a negociar com o tal anjo. No elenco, Jorge Dória, Adriana Prieto, Oduvaldo Vianna Filho, Rubens Corrêa.

Só dez anos depois, em 1979, Domingos filmaria uma nova comédia, “Teu Tua” (exibe 25/02), na qual, em três episódios baseia-se em Artur Azevedo, Molière e Dostoiévski para fazer o que ele mesmo chama de “a mais inocente e charmosa das pornochanchadas”. No elenco está um jovem Luiz Fernando Guimarães, ainda na trupe “Asdrúbal trouxe o trombone”.

A mostra da tevê encerra 11/03 com o mais experimental e dramático filme do autor: “A Culpa” (1971). Protagonizado por Nelson Xavier, ele é o arquiteto de uma construtora que, junto a dois irmãos (Paulo José e Dina Sfat) assassinam seu pai, dono da empresa. Quando decidem morar juntos, a culpa os vai consumindo pouco a pouco.

Até voltar a fazer cinema em 1997 (com “Amores”) foram quase 20 anos sem filmar. E desta safra contemporânea, e mais celebrada, a mostra também contempla os humorados “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais” (2011, exibe 04/02), com Pedro Cardoso; “Carreiras” (2007, dia 18/02), que deu prêmio de melhor atriz em Gramado a sua atual esposa, Priscilla Rozenbaum; e “Feminices” (2004, dia 04/03), uma ode às mulheres na casa dos 40 anos de idade.

ENDEREÇO – Saiba onde encontrar o Canal Brasil: NET – canal 150; SKY – canal 55; Claro – canal 67; Oi e Via Cabo – canal 66; GVT – canal 103; Vivo TV DTH – 566; Vivo TV cabo – 79.

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