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Reportagens

Abraccine: 100 filmes brasileiros essenciais

Lista é lançada depois de 10 anos da primeira votação da entidade

Por Yuri Lins | 11.05.2026 (segunda-feira)

— Com informações da Abraccine. Na imagem em destaque, o filme Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos.

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou uma nova seleção com os 100 filmes brasileiros considerados essenciais, publicada dez anos após o levantamento original da entidade. A iniciativa integra as celebrações dos 15 anos da associação, previstos para 2026, e servirá como base para um novo livro organizado pelo grupo. Esta atualização abrange produções lançadas entre 2016 e 2026, incorporando títulos contemporâneos como Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Além da atualização cronológica, o novo recorte amplia significativamente a representatividade de obras dirigidas por mulheres e cineastas negros, refletindo uma evolução no olhar crítico em comparação à lista anterior.

O levantamento considerou um universo de 1.169 títulos, entre curtas e longas-metragens de diversos períodos. Diferente da edição passada, os 100 filmes escolhidos agora não são apresentados em ordem hierárquica, mas como um conjunto referencial único que percorre a história do cinema nacional — do clássico Limite (1931) aos movimentos da chanchada, Cinema Novo, Cinema Marginal e Retomada, até alcançar a produção atual.

O cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho integra a lista da Abraccine com três filmes: O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016) e O Agente Secreto (2025)

Nelson Pereira dos Santos é o diretor com o maior número de títulos na seleção, somando quatro filmes: Rio, 40 Graus (1955), Rio, Zona Norte (1957), Vidas Secas (1963) e Memórias do Cárcere (1984). Outros sete cineastas aparecem com três obras cada no levantamento: Eduardo Coutinho, Glauber Rocha, José Mojica Marins, Kleber Mendonça Filho, Leon Hirszman, Rogério Sganzerla e Walter Salles.

A produção de Pernambuco também ocupa lugar de destaque com a inclusão de cinco filmes, reafirmando sua presença contínua no repertório crítico do país, especialmente a partir dos anos 2000. Entre os eleitos estão três obras de Kleber Mendonça Filho — O Som ao Redor (2012), Aquarius (2016) e O Agente Secreto (2025) —, além de Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes, e Baile Perfumado (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas.

Todo o conjunto será analisado em ensaios inéditos sobre aspectos históricos, estéticos e temáticos, que comporão um volume publicado pela Editora Letramento. Com lançamento previsto para o final do ano, o livro terá organização de Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva.


Confira a lista completa dos filmes. Ressaltamos que as obras reunidas não obedecem a uma sequência hierárquica, funcionando antes como um panorama articulado de diferentes períodos do cinema brasileiro.

1. Limite (1931), Mário Peixoto

2. Ganga bruta (1933), Humberto Mauro
3. O ébrio (1946), Gilda de Abreu
4. Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle
5. Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle
6. O cangaceiro (1953), Lima Barreto
7. Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos
8. Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos
9. O grande momento (1958), Roberto Santos
10. O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga
11. Aruanda (1960), Linduarte Noronha
12. O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias
13. O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte
14. Os cafajestes (1962), Ruy Guerra
15. Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni
16. Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos
17. À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins
18. A velha a fiar (1964), Humberto Mauro
19. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha
20. Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri
21. Os fuzis (1964), Ruy Guerra
22. A falecida (1965), Leon Hirszman
23. A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos
24. São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person
25. A entrevista (1966), Helena Solberg
26. O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade
27. Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira
28. A margem (1967), Ozualdo Candeias
29. Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins
30. O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person
31. O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen
32. Terra em transe (1967), Glauber Rocha
33. O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla
34. A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla
35. Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade
36. Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane
37. O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha
38. O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins
39. Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla
40. Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez
41. Bang bang (1971), Andrea Tonacci
42. S. Bernardo (1972), Leon Hirszman
43. Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor
44. Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul
45. Compasso de espera (1973), Antunes Filho
46. Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman
47. A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura
48. Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna
49. Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto
50. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco
51. Mar de rosas (1977), Ana Carolina
52. A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.
53. Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor
54. A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett
55. Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues
56. O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade
57. Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco
58. Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman
59. Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko
60. Das tripas coração (1982), Ana Carolina
61. Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias
62. Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia
63. Amor maldito (1984), Adélia Sampaio
64. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
65. Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos
66. A hora da estrela (1985), Suzana Amaral
67. A marvada carne (1985), André Klotzel
68. Filme demência (1986), Carlos Reichenbach
69. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado
70. Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat
71. Superoutro (1989), Edgard Navarro
72. Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach
73. Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati
74. Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles
75. Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas
76. Central do Brasil (1998), Walter Salles
77. O auto da compadecida (2000), Guel Arraes
78. Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky
79. Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho
80. Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund
81. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho
82. Madame Satã (2002), Karim Aïnouz
83. Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes
84. O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz
85. Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci
86. Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho
87. Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado
88. Santiago (2007), João Moreira Salles
89. Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra
90. O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho
91. O menino e o mundo (2013), Alê Abreu
92. Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós
93. Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert
94. Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho
95. Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans
96. As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra
97. Marte um (2022), Gabriel Martins
98. Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta
99. Ainda estou aqui (2024), Walter Salles
100. O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho

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