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Críticas

Creed

Contraste de duas gerações, mas com um um mesmo objetivo.

Por Luiz Joaquim | 18.01.2016 (segunda-feira)

Em “Creed” (EUA, 2015), quando Adonis Creed (Michael B. Jordan) fotografa com seu celular as anotações num papel sobre exercícios sugeridos por Rocky Balboa (Silvester Stallone), o lendário e aposentando boxeador da Filadélfia pergunta ao jovem aspirante: “Não vai levar o papel?”. “Não, está tudo aqui”, responde Adonis mostrando o celular. “E se você perder ele?”, retruca Rocky. “Não tem problema, já está tudo na núvem”, diz o jovem. “Nuvem? Que nuvem?”, pergunta a si mesmo, a lenda do box no cinema.

A sequência resume com precisão um dos charmes em que se tornou hoje a saga iniciada há 40 anos com “Rocky: Um Lutador”. Esse charme consiste em Stallone, 69 anos, não esconder a passagem do tempo sobre este seu valioso “amigo imaginário” e ressalta a beleza de sua sabedoria e experiência para deixá-lo mais elegante, mesmo que vivendo num mundo à parte, sem seu mundo particular. O das boas memórias de todos os seus amigos, que já partiram.

Assim como no anterior “Rocky Balboa” (2006), em “Creed” o ex-pugilista está recluso e não quer saber de outra coisa além de cuidar do “Adrian s”, seu restaurante que leva o nome da falecida esposa (Talia Shire). Até que o jovem Adonis lhe procura e revela-se sendo o filho de Apolo (Carl Weathers), aquele que foi amigo de Rocky (ver filme 1 e 2) e, ao mesmo tempo, seu maior rival nos ringues.

Fruto de uma união fora do casamento, Adonis Creed foi criado num orfanato até ser resgatado ainda criança pela víuva de Apolo. Mesmo com uma educação refinada, o garoto cresceu sempre impelido a seguir a carreira do pai, mas longe de sua sombra. Já adulto, o desligamento com a madrasta funciona no roteiro para colocá-lo ao lado de Rocky, encontrando ali a figura paterna que nunca teve, a quem chama, sem pudor, de tio.

Por outro lado, Rocky ganha um lufada de vida com Adonis, vendo ali a figura de um filho que não identificava em Rocky Balboa Jr. (Milo Ventimiglia, ver filme 6). Além do divertido contraste de gerações, entre o antigo e o novo, que o roteiro de Ryan Coogler e Aaron Covingto imprime ao filme, um outro grande trunfo está na direção ágil de Googler.

O diretor soube aproveitar a Filadélfia como um personagem importante na história, assim como foi no filme original de 1976. Há ainda as cenas de luta – sem tanto impacto como nas realizadas nos primeiros filmes -, mas, compensando, “Creed” cria uma simpático romance com Tessa Thompson (guardem esse nome) como par de Apolo, sempre ao som de um trlha sonora que só valoriza o novo desafio de Rocky.

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