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Festivais

50. Brasília (2017) – premiação

“Arábia” vence como o melhor filme do 50. Festival de Brasília

Por Julio Cavani | 25.09.2017 (segunda-feira)

(em foto de Júnior Aragão, equipe de Arábia recebe premiação de melhor filme no Cine Brasília)

Ao premiar Arábia com o troféu candango, o júri do 50. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não apenas reconhece a excelência do filme, como também o assinala no atual contexto brasileiro de históricos retrocessos trabalhistas. Uma das principais contribuições do longa-metragem mineiro, afinal, é proporcionar um raro retrato íntimo de um trabalhador que passa pela indústria e pela agricultura em condições precárias de emprego, enquanto enfrenta uma sempre iminente melancolia provocada por relações pessoais e pelas adversidades da vida de operário.

O filme surgiu na última noite da competição de longas de um festival que foi marcante principalmente por causa das discussões políticas e sociais estimuladas pelas obras vistas na tela do Cine Brasília. Sem ter dividido opiniões ou provocado polêmicas e com uma boa aceitação unânime, Arábia desempenhou um papel conciliatório ao contemplar questões de representatividade com o necessário cuidado.

Os diretores João Dumans e Affonso Uchoa elaboraram um digno retrato de um personagem marginalizado, apresentado em cenas elaboradas com esmero artístico em aspectos inclusive literários e pictóricos. No lugar de adotar uma estética da pobreza, eles dão ao protagonista a classe cinematográfica que ele merece enquanto ser humano. Arábia é um filme extremamente complexo e ao mesmo tempo transmite uma poderosa simplicidade emocional a partir de sua figura central, interpretada por Aristides de Sousa, vencedor do merecido candango de melhor ator.

Nas demais premiações, vale sublinhar que todos os seis atores e atrizes vencedores de candangos este ano são negros e negras. Além disso, os dois prêmios de direção de fotografia (para curta e longa) foram entregues para mulheres. Além de Arábia, o filme baiano Café com canela também foi um grande campeão da noite ao conquistar a categoria do júri popular, que oferecia a maior premiação em dinheiro (R$ 200 mil em serviços de distribuição).

*jornalista viajou a convite do Festival.

Premiados oficiais

Longa-metragem

Melhor Filme: Arábia, dirigido por Affonso Uchoa e João Dumans

Melhor Direção: Adirley Queirós por Era uma vez Brasília

Melhor Ator: Aristides de Sousa por Arábia

Melhor Atriz: Valdinéia Soriano por Café com canela

Melhor Ator Coadjuvante: Alexandre Sena por Nó do Diabo 

Melhor Atriz Coadjuvante: Jai Baptista por Vazante

Melhor Roteiro: Ary Rosa por Café com canela

Melhor Fotografia: Joana Pimenta por Era uma vez Brasília

Melhor Direção de Arte: Valdy Lopes JN por Vazante.

Melhor Trilha Sonora: Francisco Cesar e Cristopher Mack por Arábia

Melhor Som: Guile MartinsDaniel Turini e Fernando Henna por Era uma vez Brasília

Melhor Montagem: Luiz Pretti e Rodrigo Lima por Arábia

Prêmio Especial do Júri: Melhor Ator Social para Emelyn Fischer, por Música para quando as Luzes se apagam

 Júri Popular ( Prêmio Petrobras de Cinema) longa-metragem: Café com canela, dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio

Curta-metragem

Melhor Filme: Tentei, dirigido por Laís Melo

Melhor Direção: Irmãos Carvalho por Chico

Melhor Ator: Marcus Curvelo por Mamata

Melhor Atriz: Patricia Saravy por Tentei

Melhor Roteiro: Ananda Radhika por Peripatético

Melhor Fotografia: Renata Corrêa por Tentei

Melhor Direção de Arte: Pedro Franz e Rafael Coutinho por Torre

Melhor Trilha Sonora: Marlon Trindade por Nada

Melhor Som: Gustavo Andrade por Chico

Melhor Montagem: Amanda Devulsky e Marcus Curvelo por Mamata 

Prêmio especial: Peripatético, dirigido por Jéssica Queiroz

Júri Popular – Curta-metragem: Carneiro de ouro, dirigido por Dácia Ibiapina

Outros prêmios

Prêmio Canal Brasil: Chico, dirigido por Irmãos Carvalho

Prêmio Abraccine

Melhor filme de longa-metragem: Arábia, dirigido por Affonso Uchoa e João Dumans

Melhor filme de curta-metragem: Mamata, dirigido por Marcus Curvelo

Prêmio Saruê: Afronte, direção de Marcus Azevedo e Bruno Victor

Prêmio Marco Antônio Guimarães: Construindo pontes, dirigido por Heloísa Passos

Prêmio CiaRio/Naymar

Para o melhor curta pelo Júri Popular: Carneiro de ouro, dirigido por Dácia Ibiapina 

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