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Críticas

Até o limite da honra

Seria sobre perseverança mas é, na verdade, sobre a careca da Demi Moore.

Por Luiz Joaquim | 04.05.2018 (sexta-feira)

–Publicado originalmente em 13 de agosto de 2000

“Quando os americanos estão em  guerra geralmente fazem um filme à respeito dessa guerra. Quando não, eles fazem um filme sobre o ensaio de uma batalha. Até o limite… é uma espécie de Recifolia de um combate de guerra americano”.Assim definiu, o estudante de comunicação, Antônio Flávio Tabosa (Neco Tabosa), a última produção cinematográfica dirigida pelo inglês Ridley Scott (também responsável pelo cultuado Blade Runner. 

Por falar em direção, seria difícil reconhecer o toque de Scott sobre o controle do filme caso o seu nome não estivesse nos créditos finais. Algumas mínimas cenas, onde praias são mostradas sob lente com filtros, atribuindo um tom dégradé ao céu, nos fazem lembrar do seu ótimo Os duelistas  de 1977, com Harvey Keitel e Keith Carradine. De resto, nada mais característico do diretor aparece neste filme que conta a história de uma agente do serviço de inteligência da marinha.

A tenente O’Neill (Demi Moore) recebe uma oportunidade de dar um salto em sua carreira fazendo parte do treinamento para ingressar nos Seals, a tropa de elite e, nas horas vagas, Clube do Bolinha da Marinha Americana. Daí para frente tem início as situações “engraçadas” as quais O’Neill precisa se submeter. É uma verdadeira maratona de exercícios físicos e mentais,  durante 19 horas contínuas, que deixariam qualquer atleta do triatlom de queixo caído.

Como não poderia deixar de ser, uma sequência mostra o corpo “esculpido” da moça enquanto ela faz exercícios e, simultaneamente, intercala imagens do árduo treinamento com muita porrada e suor. Dentro do contexto da história, pode-se considerar estas como as cenas eróticas do filme. A previsibilidade do argumento é tão simplória (pessoa sofrendo preconceito demonstra competência e ganha respeito dos colegas) que a cena mais curiosa é mesmo aquela em que a estrela raspa a cabeleira. Ora! Uma história que poderia render uma bom ensinamento do que é perseverança acaba se resumindo à careca da Demi Moore.

Até o limite… é também um daqueles filmes em que as batalhas são representadas por cenas absolutamente ininteligíveis. Impossível perceber quem está vencendo. A descoberta só acontece quando vemos os sobreviventes da confusão.

No elenco do filme aparecem a eficiente Anne Bancroft (de A primeira noite de um homem), como uma juíza do alto escalão e o novo Viggo Mortensen como o treinador dos Seals. O destaque vai para Mortensen que encarnou com eficiência o instrutor frio e odioso da tenente O`Neill. Ele consegue roubar as cenas quando aparece na tela.

A trilha sonora também merece atenção. Com alguns blues e rock&roll as músicas colocam o espectador no clima macho do treinamento físico da marinha americana.

Quando os fãs de Ridley Scott esperavam encontrar ao menos algumas belas cenas plásticas, como é de costume em seu filmes, o que se vê em Até o limite… é  o que hollywood sabe fazer de melhor: entretenimento sem conteúdo.

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