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Críticas

Quase Famosos

Sexo, rock e mentiras

Por Luiz Joaquim | 11.05.2018 (sexta-feira)

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– publicado originalmente em 20 de abril de 2001

Existe um equivocado folclore que romantiza a diária labuta dos jornalistas. No que diz respeito as obrigações de um crítico de música, a fantasia corre mais livre ainda na cabeça das pessoas. O novo, e tão comentado, filme semi-autobiográfico de Cameron Crowe, Quase Famosos (Almost Famous, EUA, 2000) – estreando nesta sexta (20.abril.2001) no Recife – ajuda a reforçar a ideia delirante que é trabalhar na imprensa cultural. No caso, da cultura pop. Sim, porque o longa nos leva junto à incursão do adolescente William Miller (o simpático Patrick Fugit, estreando na tela grande) para dentro da atmosfera elétrica de uma banda de rock no início do sucesso, em plena turnê norte-americana de 1973.

No filme, o quase famoso não é só apenas o jovem foca (iniciante no jornalismo), mas também a banda fictícia Stillwater e suas band-aids. Na concepção das próprias garotas band-aids, elas se diferenciam das tietes pois têm o privilégio de acompanhar as roqueiros pelas viagens estrada afora ajudando-os no que for preciso e garantindo sexo fácil. Elas são tão populares como os próprios artistas. Penny Lane (Kate Hudson, também em cartaz em Dr. T e As Mulheres, ela é filha de Goldie Hawn).

Com um pouco de sorte e audácia, o William Miller, de apenas 15 anos, consegue se infiltrar numa das apresentação do grupo Stillwater, com o objetivo de produzir uma matéria livre para uma revista pequena. O espaço no periódico, ele conseguiu graças ao veterano crítico Lester Bangs (Philip Seymour Hoffman). São desse excelente ator, Seymour Hoffman, as melhores falas. Seu personagem é o mais interessante. Corrigindo: o grande interprete que é Hoffman – sempre ajustando o volume de sua performance no nível exato do bom gosto – faz de seu Bangs uma figura interessante.

Bangs é o tipo do cara que enxerga através da roupa. Ele faz do pequeno William seu protégé, e abre seus olhos sobre toda insidiosa tentação que está por cruzar o caminho do rapaz. Dando conselhos do tipo ‘seja sempre sincero e impiedoso”, Bangs lembra-lhe que dali pra frente chegarão às suas mãos passagens aéreas de graça, ingressos para shows, muito sexo e drogas. Tudo banhando por uma tonelada de hipocrisia e um monte de gente que finge ser seu amigo para lhe pedir favores.

Embora bem amarrada no seu filme, Cameron Crown passa essa ideia de forma quase transparente. Ele centra, preferencialmente, sua narrativa em cima do desejo de William por Penny Lane, e da relação desta com o líder da Stillwater, o guitarrista Russell (Billy Crudup, de Círculo das Paixões, Todos Dizem Eu Te Amo e Sleepers). Esse é sol do filme. Como vários planetas que giram ao seu redor, Crown criou a mãe anti-drogas (a ótima Frances McDormand) de William; e a conflituosa relação dos integrantes da banda entre si; além das curiosidades que rolam na turnê do grupo, recheado de choques de egos e percalços tragicômicos.

Divertido, Quase Famosos levou o Oscar de roteiro original em março último ganhando  assim mais atenção da mídia mundial. Curiosamente, Crowe é (ou era) um quase famosos em Hollywood. Seus filmes sempre agradavam, mas nunca iam além do suficiente para não dar prejuízo a produtora. Depois do bom Say Anything… (1989) e – do na minha opinião, o seu melhor – Vida de Solteiro (em 1992), o diretor quase derrapa com Jerry MaGuire (em 1996, que ainda rendeu um Oscar de coadjuvante para Cuba Gooding Jr.). Agora, contando sua própria cruzada, na pele de William Miller, ele retorna ao que melhor domina: às nuances do universo pop juvenil.

Casal bonitinho vai ao méxico – Além de Quase Famosos, entram em cartaz Julia Roberts e Brad Pitt em A Mexicana (The Mexican, EUA, 2001) e o nacional Condenado à Liberdade (Brasil, 2001). No primeiro, um filme de Gore Verbinski, Brad Pitt é uma espécie de caixeiro-viajante que precisa ir ao México para satisfazer a última encomenda de seu chefe mafioso. Ele vai buscar ‘A Mexicana’. Uma pistola de aço de preço inestimável. Enquanto ele traz a peça para seu patrão, descobre que mesma porta uma maldição que o leva a desistir de cumprir sua obrigação. Mas, para lembrá-lo que o compromisso é mais que sério, o mafioso rapta a bela amada (Roberts) do rapaz.

No segundo filme, um casal da alta burguesia brasiliense, Mauro e Beatriz Vilhena (Othon Bastos e Cássia Kiss) é encontrado morto no leito conjugal. Um quadro clássico de homicídio seguido de suicídio, porém o laudo pericial indica que ambos foram assassinados. Embora conduzido pelo detetive Osmar (Anselmo Vasconcellos) da Polícia Civil do DF, o caso é comandado pelo Agente Lopes (Antônio Pompeo) da Polícia Federal. Isso porque a vítima, Dr. Mauro, ia depor numa CPI como advogado da madeireira Monte Verde, de propriedade da família Vilhena, sobre o recente massacre de índios caiapós atribuído a funcionários da empresa.

As suspeitas de Lopes recaem sobre Maurinho (André Gonçalves), filho mais velho do casal, apaixonado por Ângela (Mylla Christie), estudante de medicina de origem pobre, também apaixonada por ale. A moça é rejeitada  pela família Vilhena, especialmente pela avó D. Irene (Nathalia Timberg), que conduz a família com punhos de ferro e mãos de pelica.

Muitos personagens e muitas sub-tramas são substâncias mais que promissoras para advinhar um filme confuso e desagradável. Infelizmente, o cinema nacional não tem pedigree recente na produção de histórias tão pretensiosas. E e pouco provável que o diretor Emiliano Ribeiro tenha acertado aqui, logo na sua primeira tacada.

Os cinemas da Fundação e Apolo, continuam com sua programação de nível. No Derby, os dois franceses: A Mulher e O Atirador de Facas, de Patrice Leconte, e Uma Relação Pornográfica entram na segunda semana de sucesso. No Bairro do Recife, O Caminho de Casa, de Zhang Yimou, continua encantada quem passa uma hora e 40 minutos na sala da rua do Apolo.

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