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Os 1970s que Amamos (#17)

Operação Dragão (Enter the Dragon, 1973)

Por André Pinto | 22.05.2021 (sábado)

“O inimigo usa imagens e ilusões para esconder suas verdadeiras motivações e intenções. Destrua sua imagem, e você o derrotará”

Shaolin Abbot.

É possível uma única obra construir toda uma imagem de um mito? Operação dragão é considerado por muitos o filme definitivo de artes marciais. Mas talvez ele seja o filme definitivo de Bruce Lee, e talvez o único testamento de uma carreira curta, mas meteórica.

A produção tinha tudo para ficar apenas no papel. Mas tinha um grande estúdio por trás, que buscava popularizar e transformar em mainstream o gênero Karatê e Kong Fu que já agitavam as matinês no mundo inteiro. No Brasil os cinemas de bairro do interior sempre tinham uma cópia em película daquele último filme do guerreiro Shaolin que lutava pela honra do templo.

Não se engane. Operação dragão é competente e seguro como filme de ação. Apesar da confusão de bastidores, Robert Clouse sustentou a barra até o fim, mesmo com as constantes interferências dos dois verdadeiros oponentes de uma luta de artes marciais de bastidores.

Sim. Na trama Bruce Lee tenta vingar a morte da irmã e ao mesmo tempo correr em busca de um antigo traidor do templo Shaolin. Para isso entra num torneio mundial em uma ilha misteriosa que serve de palco para centenas de lutadores em busca de fama e vitória.

Mas o filme não contava com o duelo de bastidores entre Bruce Lee e John Saxon. A cada diária de filmagem Lee interferia nas cenas, mudando situações e subtramas, tentando assumir controle criativo na direção. John Saxon (ator que era faixa preta de karatê), por outro lado, colocou na cabeça que era o protagonista do filme, e passou a exigir contratualmente mais tempo de película. No meio da bagunça o pobre do ator Jim Kelly, que formava um trio com Saxon e Lee, perdia espaço com seu personagem, sendo limado no meio da história.

Quando o diretor, os produtores e as estrelas finalmente alinharam-se, o filme encontrou o ponto de equilíbrio ensinado pelos mestres ancestrais do templo Shaolin. Mas ninguém esperava o que vinha a seguir.

Meses depois, quando a película explodiu nas telas do EUA, prenunciando um futuro brilhante para os filmes de kung fu, Hong Kong realizava um funeral para o seu filho americano adotivo mais célebre. Bruce Lee jamais viu a obra que o transformou em mito. Nos próximos anos, a estrela-mor do gênero seria ressuscitado através de restos de cenas de filmes anteriores, remontados como sequências frankensteinianas pré-deepfake…

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