
50ª Mostra de SP (2026) – Livro Abraccine
Livro sobre 100 filmes brasileiros essenciais será lançado na Mostra de Cinema em São Paulo
Por Yuri Lins | 20.10.2026 (terça-feira)
— Com informações da Abraccine.
A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) lança nesta sexta-feira (23), às 17h, o livro 100 Filmes Brasileiros Essenciais. A sessão de autógrafos será no Solar Fábio Prado, no Jardim Paulistano, zona oeste da capital paulista. O evento integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Editado pela Literíssima, o volume é fruto de uma nova votação sobre os títulos mais importantes da produção nacional, feita dez anos depois da primeira. Cada um dos 100 filmes selecionados ganhou um ensaio próprio, escrito por um autor diferente: são críticos e estudiosos de cinema, brasileiros e estrangeiros. Completam a edição 15 artigos de enfoque histórico e analítico.
O que mudou em dez anos – A nova lista foi divulgada pela Abraccine em 11 de maio, nas comemorações dos 15 anos da entidade, que reúne mais de 180 críticos de todo o país. Ao todo, 1.169 títulos de diferentes épocas, entre curtas e longas-metragens, foram citados na votação.
A consulta anterior, tornada pública em novembro de 2015, resultou no livro 100 Melhores Filmes Brasileiros, editado em 2016. Na época, a associação montou um ranking encabeçado por Limite (1931), de Mário Peixoto, com Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, em segundo lugar.

“Limite” (1931), de Mário Peixoto
Agora, a ideia de “melhores” deu lugar à de “essenciais”, e não há primeiro colocado: os títulos aparecem em ordem cronológica. Da relação original, 71 filmes continuam presentes e 29 foram substituídos.
A renovação ampliou a diversidade. Em 2015, apenas cinco mulheres assinavam filmes da lista, cada uma com um título; agora, são 14 diretoras.
Entre as novidades estão Gilda de Abreu, de O Ébrio (1946), e Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um longa no Brasil, com Amor Maldito (1984). Também entrou Carla Camurati, com Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), considerado marco da Retomada.
Cresceu ainda a presença de cineastas negros, como Odilon Lopez (Um É Pouco, Dois É Bom, 1970), Zózimo Bulbul (Alma no Olho, 1973) e Gabriel Martins (Marte Um, 2022).
Entre os diretores, Nelson Pereira dos Santos passou a ser o mais representado, com quatro filmes. Glauber Rocha, líder em 2015 com cinco títulos, aparece agora com três, mesmo número de nomes como Kleber Mendonça Filho, Eduardo Coutinho e Walter Salles. Já os três filmes de José Padilha que estavam na primeira lista ficaram de fora.

“Alma no Olho” (1973), de Zózimo Bulbul
Mais de nove décadas de cinema – A seleção vai do cinema silencioso à produção contemporânea. O ponto de partida é Limite, único longa-metragem de Mário Peixoto, exibido pela primeira vez em 1931; o título mais recente é O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho.
Entre um e outro, a lista atravessa a chanchada, o Cinema Novo, o Cinema Marginal e a Retomada dos anos 1990. Do período dos grandes estúdios, entraram também dois filmes de José Carlos Burle, diretor da Atlântida: Também Somos Irmãos (1949) e Carnaval Atlântida (1952). Clássicos como Vidas Secas (1963), Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980) e Cidade de Deus (2002) seguem na relação.
Os filmes do século 21 respondem por 23% da lista, fatia próxima aos 24% de 2015. Foi nesse recorte, porém, que houve mais trocas: 12 títulos saíram e 11 entraram, entre eles Aquarius (2016), Arábia (2017), As Boas Maneiras (2017) e Mato Seco em Chamas (2022).

“O Ébrio” (1946), Gilda de Abreu
Também estão na seleção os dois longas que recentemente levaram o Brasil à disputa do Oscar de melhor filme. Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, foi em 2025 a primeira produção brasileira a vencer a estatueta de filme internacional.
O Agente Secreto, ambientado no Recife de 1977, rendeu a Kleber o prêmio de direção e a Wagner Moura o de ator no Festival de Cannes de 2025. O longa venceu ainda dois Globos de Ouro e recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, incluindo a de melhor filme.
A animação tem um único representante, O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu — em 2015, nenhuma animação havia entrado. Entre os filmes infantis, só Os Saltimbancos Trapalhões (1981), de J.B. Tanko, foi lembrado.
Ensaios de 100 autores – Danilo Fantinel, Ivonete Pinto e Paulo Henrique Silva, organizadores do volume, autografam a obra ao lado de vários dos autores. Ivonete, professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), presidiu a Abraccine entre 2019 e 2021. Paulo Henrique estava à frente da entidade quando a primeira lista virou livro, em 2016.
Oito colaboradores do Cinema Escrito assinam textos do livro. Entre eles estão a própria Ivonete Pinto e Luiz Joaquim, editor do site. Completam o grupo Kleber Eduardo, Donny Correia, Humberto Pereira da Silva, Marcelo Ikeda, Renato Félix e José Geraldo Couto.

Os Saltimbancos Trapalhões (1981), de J.B. Tanko
A apresentação é assinada pelo crítico egípcio Ahmed Shawky, presidente da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci). No texto, ele examina as razões do prestígio do cinema brasileiro entre críticos de outros países.
Responsável pela edição, a Literíssima é uma editora independente de Belo Horizonte. A obra dá continuidade a uma série de livros da Abraccine com listas comentadas, que já incluiu volumes sobre documentários e animações brasileiras.
Lançamento na Mostra – O lançamento ocorre no último dia do VI Encontro de Ideias Audiovisuais, braço de mercado da Mostra, realizado de 20 a 23 de outubro. Depois de edições na Cinemateca Brasileira, o encontro passou a ocupar o Solar Fábio Prado, com cerca de 70 atividades, entre debates, painéis e lançamentos de livros.

“O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho
Criada em 1977, a Mostra chega à 50ª edição com 380 títulos, entre longas, curtas e séries, de mais de 90 países. As sessões ocupam 57 salas de cinema, centros culturais e CEUs da capital paulista até 29 de outubro.
Serviço
Lançamento do livro 100 Filmes Brasileiros Essenciais, com sessão de autógrafos
- Quando: sexta-feira, 23 de outubro, às 17h
- Onde: Solar Fábio Prado — Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, São Paulo (SP)
- Quanto: R$ 120 no dia do lançamento
- Venda antecipada: desde 20 de outubro, no próprio Solar, na Livraria da Travessa
- Publicação: Abraccine / Literíssima
- Programação: VI Encontro de Ideias Audiovisuais, da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo















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