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Críticas

Valente (2012)

Princesinha moderna

Por Luiz Joaquim | 20.07.2012 (sexta-feira)

Em 2011 o grande lançamento da celebrada Pixar foi o decepcionante “Carros 2”, sequência para o primeiro filme de 2006 cujo projeto era uma espécie de menina dos olhos para o todo poderoso John Lasseter, um ardoroso fã de automóveis. Apagada desde 2009, quando brilhou pelo sucesso de “Up: Altas Aventuras”, a empresa agora lança, com a Disney, “Valente” (Brave, EUA, 2012), dirigido a seis mãos por Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell.

Aqui, percebe-se fácil, temos um projeto muito cuidadoso – tanto técnico quanto dramático (combinação que é marca da Pixar) – que vai chamar a atenção do público e da crítica. No primeiro quesito, o técnico, já na abertura o espectador se depara com um cenário deslumbrante, que nos remete às paisagens da Escócia na Idade Média.

Logo aqui, a beleza destas paisagens digitais já confundem o olho do espectador. O trabalho, que segue ao longo do filme, chega num grau de perfeição e em algumas circunstâncias não nos permite mais distinguir o que é paisagem criada e o que é real – mesmo conscientes que tudo é criado!

Ao contrário de “Carros 2”, que pegou carona na moda da projeção 3D para existir, “Valente” tem sentido em ser vendido nessa tecnologia. O trio de diretores e sua equipe técnica parecem ter prestado bastante atenção às lições que o tataravó da animação comercial, Walt Disney (1901-1966), deu a todos quando, nada mais que 70 anos atrás, por ocasião do lançamento de “Bambi”, o eterno mestre apresentou no documentário “Tricks of The Trade” a câmera multi-planos.

Com o equipamento, a trupe de Disney sugeriu a sensação de profundidade de campo em desenhos bidimensionais, numa época (1942) em que a animação era chapada num plano chato, e as experiências com projeção 3D eram raras e para filmes não-comerciais. Com a nova câmera, principalmente em cenas na floresta, Disney provocava a sensação de tridimensionalidade com a ideia das árvores em planos diferentes entre o pequeno cervo. A mesma ideia aparece em “Valente”, fazendo realmente valer a pena a sensação de “entrar” na floresta junta a pequena heroína Merida.

No aspécto da dramaturgia, a Pixar também capricha nessa nova fábula, simples e eficiente para fazer a criançada repensar os valores da família. A princesinha adolescente Merida, com seus densos e desgrenhados cabelos cor de fogo, é a própria labareda em pessoa.

Enquanto sua mãe, a Rainha Elinor faz de tudo para ensinar os modos da realeza para a menina, o pai, o Rei Fergus, não hesita em lhe dar um arco com flechas como presente de aniversário; o que reforça ainda mais seu espírito de liberdade e fome por aventuras.

O conflito vem quando é chegada a hora da família real honrar a tradição e escolher um marido para Merida entre os primogênitos de três clãs da região. Assim, uma disputa com armas entre o gordinho fanho dos MacGuffin, o jovem brigão dos Macintosh e o abobalhado do clã Dingwall definira aquele que terá a mão da princesa.

Como Merida quer ter o direito de definir seu próprio destino, ele se alia a uma bruxa que lhe oferece uma magia como solução. Acontece que nem tudo saí como esperado e Merida acaba tendo de correr contra o tempo para não desestruturar sua família para sempre.

Nesse contexto, mesmo infantil, em que personagens masculinos soam realmente como personagens masculino tradicionais (eles gostam de cerveja e resolvem tudo pela força) e mulheres surgem como mulheres de uma outra época (cuidar da casa, da aparência da família e manter os bons modos estão em primeiro lugar), a menina Merida chega para embaralhar estas posturas, que “Valente” joga para a época da Idade Média.

Dessa forma, o filme atualiza, e sem soar professoral, a criançada de hoje (principalmente as menininhas) sobre a liberdade que elas têm. E a lição não pára aí. Do jeito que segue, Merida não é a única que aprende. Pela filha, a rigorosa Rainha Elinor também vai entender que a vida pode tolerar e se nutrir do que há de instintivo no ser humano. Enquanto que o truculento Rei Fargus da filha aprende que o diálogo pode resolver qualquer impasse. Nessa brincadeira, saem no lucro a molecada e seus país com este bom “Valente”, dedicado pela sua produção a Steve Jobs.

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