
21ª CineOP (2026) – Temática e seleção
Sob o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, mostra debate memória e arquivos do cinema
Por Yuri Lins | 12.06.2026 (sexta-feira)
— Com informações da assessoria da 21ª CineOP.
Entre os dias 25 e 30 de junho, Ouro Preto recebe a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Com programação gratuita distribuída entre o Centro de Artes e Convenções da UFOP, a Praça Tiradentes e o Museu da Inconfidência, o evento exibirá 135 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, reafirmando sua proposta de discutir o cinema como patrimônio cultural. A edição deste ano é guiada pelo tema “Um país existe nas imagens que preserva”.
A seleção reúne obras de 18 estados brasileiros e produções de Argentina, Colômbia, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos e Alemanha. Ao longo de 42 sessões, o público poderá acompanhar pré-estreias nacionais, filmes restaurados, produções ligadas a projetos educacionais e títulos voltados ao público infantojuvenil.

Novo filme do diretor pernambucano Lírio Ferreira, Vivo 76 está entre os destaques da Mostra Contemporânea da CineOP.
Um dos eixos centrais da programação é a Mostra Competitiva Contemporânea Arquivos em Questão, dedicada a longas-metragens que utilizam imagens de arquivo como elemento estruturador de suas propostas narrativas. Em pré-estreia nacional, participam da competição Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas, de Carlos Adriano; Apocalipse Segundo Baby, de Rafael Saar; Universo Circular – Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro; Irritante Prodígio, de Luiza Lindner; e Notas sobre um Desterro, de Gustavo Castro. O vencedor receberá o Troféu Vila Rica.
A Mostra Contemporânea amplia a reflexão sobre memória e reconstituição histórica por meio de documentários e filmes experimentais. Entre os longas programados estão Anistia 79, de Anita Leandro, que revisita registros da Conferência Internacional pela Anistia realizada em Roma em 1979; Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário, de Paulo Severo; Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha, de Luis Abramo e Pedro Rossi; As Dores do Mundo – Hyldon, de Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues; e Vivo 76, de Lírio Ferreira.
Nos curtas-metragens, a programação apresenta obras que mobilizam acervos audiovisuais para revisitar questões ligadas à mineração, ao patrimônio industrial, à memória do cinema, às culturas indígenas e a episódios pouco conhecidos da história brasileira. Entre os títulos selecionados estão Ouro de Tolo Remix, de Gabriel Afonso; Terceira Montanha, de Tetsuya Maruyama; Cinzenta: Inventários da Chaminé, de Natália Reis; e Sem Título #11: Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano.

Diretora de A Entrevista (1966), Helena Solberg é a homenageada da 21ª edição da CineOP.
A Mostra Histórica concentra-se nas trajetórias iniciais de cineastas brasileiras sob o tema “Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme”. O recorte reúne produções de diferentes décadas, incluindo Feminino Plural (1976), de Vera de Figueiredo; Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina; Que Bom Te Ver Viva (1989), de Lucia Murat; Um Céu de Estrelas (1996), de Tata Amaral; e Um Dia com Jerusa (2020), de Viviane Ferreira.
A homenageada desta edição é Helena Solberg. A programação dedicada à realizadora inclui a exibição de filmes de diferentes momentos de sua carreira. A abertura da mostra será marcada pela apresentação de A Entrevista (1966) e Meio Dia (1970). Também integra o conjunto de obras exibidas Carmen Miranda: Bananas Is My Business (1995).
Outro núcleo importante é a Mostra Preservação, voltada tanto para filmes restaurados quanto para produções que discutem a conservação de imagens e acervos. Entre os destaques está a versão restaurada em 4K de O Ébrio (1946), dirigido por Gilda Abreu. Também serão exibidos Vento Norte, de Salomão Scliar, além dos curtas restaurados Jangada de Ir e Vir, de Marcus Vale, e A Luta do Povo, de Renato Tapajós. Em pré-estreia nacional, a seção apresenta ainda Os Irmãos Segreto, de Michele Manzolini e Federico Ferrone, e O Filme Infinito, do argentino Leandro Listorti.

O documentário Anistia 79 recupera registros da mobilização internacional em defesa dos perseguidos pela ditadura brasileira.
A dimensão formativa do evento aparece na Mostra Educação, composta por obras realizadas em ambientes escolares e por projetos que utilizam o audiovisual como ferramenta pedagógica. Entre os longas selecionados estão Fraternura, de Evanize Sydow e Américo Freire, e Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, que revisita a trajetória do projeto Vídeo nas Aldeias.
A programação para estudantes também inclui o Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema, iniciativa que promoverá sessões gratuitas para diferentes faixas etárias, acompanhadas de debates e materiais educativos. Já a Mostrinha de Cinema apresenta Papaya, primeiro longa-metragem de animação dirigido por Priscila Kellen.
Além das exibições presenciais, parte da programação poderá ser acompanhada online pela plataforma da CineOP. O catálogo digital disponibilizará filmes ligados às temáticas histórica e de preservação, incluindo dez obras de Helena Solberg, além de curtas produzidos pela TV UFOP. Debates e cerimônias de abertura e encerramento também terão transmissão pela internet.















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