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Críticas

À Procura da Felicidade

Altos e baixos de um João Ninguém.

Por Luiz Joaquim | 02.01.2020 (quinta-feira)

– publicado originalmente em 2 de fevereiro de 2007 na Folha de Pernambuco.


Duas observações determinantes a considerar sobre À procura da felicidade (The Pursuit of Happyness, EUA, 2006), que estréia hoje. Um: é dirigido pelo italiano Gabriele Muccino. Dois: apresenta o ‘homem de preto’ e matador de aliens Will Smith como Chris, uma pessoa comum, crível, reconhecível pelo espectador, como alguém que precisa se desdobrar em três para ganhar dinheiro e cuidar sozinho do filho de cinco anos, Christopher (Jaden Smith, filho do próprio Will) na cidade de São Francisco em 1981.


Um: Muccino, pouco conhecido no Brasil, ganhou fama mundial com O último beijo (2001) sobre a insegurança emocional de um homem na ‘idade da razão’ prestes a casar com uma mulher maravilhosa. Delicado e preciso, O ultimo beijo traz à tona um lado da fragilidade masculina. No filme com Will Smith, pode-se dizer que vemos o mesmo homem de O último beijo, mas num outro estágio da vida, quando a fragilidade e a dúvida precisam dar espaço à coragem e à determinação.


Dois: Smith vem de uma carreira calcada no espetáculo pela força e pela violência. Em seu anterior Hitch: Conselheiro amoroso (2005), quando faz um especialista do amor, em crise, o ator, aparentemente, já procurava tomar um desvio para lado humano do cinema. Agora, com À procura da felicidade, feito com dinheiro de seu próprio bolso, o ator parece querer assumir a opção pelo que há de mais sutil para um ator representar com dignidade: a própria natureza do homem.

No que diz respeito a dignidade, vê-se que em nenhum momento o personagem de Smith deriva para o percurso da criminalidade ou da violência. Esse seria um caminho fácil também para o roteiro. Mas, ao contrário, a postura combativa e perseverante do personagem é mais sofrida, logo, mais positiva para o filme, reverberada inclusive com a imagem de Ronald Reagan discursando na TV sobre a terrível situação econômica do país. Contra isso, Chris vai à luta armado apenas com seu sorriso e sua delicadeza com o próximo. Chris é, em si, um revigorante exemplo da essencial das pessoas, que só querem ser felizes.

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