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Festivais

42o Fest de Brasília (noite 7) – 2009

Sérgio e Petrônio mostram, em Brasília, um Recife quente

Por Luiz Joaquim | 24.11.2009 (terça-feira)

BRASÍLIA (DF) – Foi singular o debate na manhã de hoje, deste 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, sobre os curtas-metragens exibidos na última noite competitiva, ontem. Estavam à mesa as equipes dos dois curtas-metragens pernambucanos em questão: “Azul”, de Eric Laurence, e “Faço de Mim o que Quero”, de Sérgio Oliveira e Petrônio de Lorena. Na platéia, uma comunidade de pernambucanos somada por Cláudio Assis, realizadores do curta “Recife Frio” e jornalístas dos três principais jornais do Estado.

Estimulado por uma colocação de que o cinema pernambucano tem nessa década a força que teve sua música na década anterior, iniciou-se um debate paralelo na platéia que quase interrompe o foco da mesa do festival. Voltando à normalidade, Oliveira e Petrônio chamaram atenção para o movimento libertário por traz da expressão da música brega que domina o Recife, há algum tempo, com seu ídolos, fãs e mercado próprios.

“Faço de Mim o que Quero” é um belo ensaio audiovisual desse universo, mostrado a partir de um olhar carinhoso, ou amoroso, sobre a felicidade de seus participantes em experiênciar a alegria e liberdade gerada pela música brega. Entenda-se como “participantes” os técnicos, usuários e artistas (Kelvis Duran, Conde, João do Morro, Vício Louco, Rodrigo Mell) do gênero musical que forçosamente se escuta na cidade.

O filme funcionou como um “Recife Quente” aqui em Brasília, em contraposição ao “documentira”, de Kleber Mendonça. A perspectiva respeitosa de Oliveira e Petrônio deu, pela primeira vez, dignidade a esses atores do brega recifense, podendo até funcionar como um elemento (para usar uma palavra que não existe) “despreconceitualizante” a seu respeito, sem mencionar o seu rico valor como documento dessa expressão musical.

Em “Azul”, Eric Laurence nos leva mais uma vez para o universo rural (como “Entre Quatro Paredes”), no qual uma senhora (a ótima Zezita Matos) percorre um longo caminho no vazio do horizonte para uma outra mulher (Magdale Alves) ler a carta enviada por seu filho. Como destacado no debate pelo próprio diretor, este é um trabalho pelo qual Eric experimenta mais os silêncios e força-se a um ritmo mais em consonância à solidão da protagonista. Destaque também para o meticuloso aproveitamente da fotografia (Antônio Luís Mendes) por seus elementos no enquadramento.

O último longa em competição foi o mineiro “A Falta que Me Faz”, de Marília Rocha, integrante da produtora Teia, que é responsável por uma estrutura, em particular no documentário, pela qual a forma e o método (ou o não-método), e as famosas “dilatações do tempo”, tornam-se mais importante que o objeto em si. No caso de “A Falta que…”, Marilia consegue se desvencilhar um pouco desse quase mantra mineiro quando dá ouvidos e voz a suas personagens: meninas saindo da adolescência (algumas já grávidas) na Cordilheira do Espinhaço. Excelente o momento em que uma das meninas toma as rédeas do documentário e passa a entrevistar (e questionar) a equipe por trás da câmera.

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