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Hoje tem marmelada?

Há 100 anos nascia o Carequinha

Por Luiz Joaquim | 18.07.2015 (sábado)

Se hoje o leitor conectado na rede mundial de informações digitar as palavras “palhaço infantil” no mais acessado veículo audiovisual, o site Youtube, aparecerá na sua frente toda sorte de animadores para crianças, com a dupla “Atchim & Espirro” encabeçando a lista com um vídeo já visto por 13,5 milhões de usuários. Mas, outras atrações menos tradicionais estão lá para todo mundo ver, como o garoto Cássio Chiclete, com 13 anos de idade, pesando 93 quilos e 500 mil visualizações pelo seu videoclipe do funk “Quer Chiclete”, no qual aparece cantando numa piscina ao lado de três rebolantes mulheres adultas usando pouca roupa.

Num universo como este, qual seria a posição daquele que recebeu a alcunha de “o palhaço mais famoso do Brasil”, o Carequinha? Difícil dizer. George Savalla Gomes, seu nome de batismo, será bastante lembrado, de qualquer forma, ao longo deste 2015 e também em 2016, quando a Escola de Samba Unidos do Porto das Pedras, no Rio de Janeiro, o homenageará com um desfile pela Sapucaí.

A data de hoje marca o centenário do nascimento do Carequinha, falecido em 2006, e que por, no mínimo três décadas (entre os 1950 e 1980) foi a grande referência circense por aqui. E não apenas no circo. Neste País, George foi o pioneiro animador infantil a abrir espaço na rádio, no cinema – com as chanchadas “Sai de Baixo” e “Com Água na Boca”, ambos de 1956; “Com Jeito Vai” e “Sherlock de Araque”, ambos de 1957; “É de Chuá”, 1958; e “O Palhaço O que É?, 1960 – além da tevê, tendo passado pela Rede Tupi, Manchete e Globo, quando neste fez sua última aparição, no especial “Hoje É Dia de Maria” (2005).

Paralelo a tudo isso o animador gravou 27 discos, vendendo centenas de milhares de álbuns que tornaram-se referência pelos menos por três gerações de crianças. Muito dos refrões ainda ecoam naqueles com mais de 40 anos. Ao contrário de Cássio Chiclete, as canções do Carequinha ajudavam a educar os pequenos.

Exemplos disso estão nas clássicas “Canção da Criança”, de Francisco Alves e Renné Bittencourt: “Criança feliz, que vive a cantar / Alegre embalar seu sonho infantil / Ó meu bom Jesus, que a todos conduz / Olhai as crianças do nosso Brasil!”; ou aquela não faltava em nenhum aniverário infantil no Brasil: “Parabéns! Parabéns!”, de Irany de Oliveira e Altamiro Carrilho: “Chegou a hora de apagar a velinha / Vamos cantar aquela musiquinha / Parabéns, Parabéns / Pelo seu aniversário”; e ainda o hit “O Bom Menino”, também de Oliveira e Carrilho: “O bom menino não faz pipi na cama / O bom menino não faz malcriação / O bom menino vai sempre à escola / E na escola aprende sempre a lição”.

Neste tom disciplinador, um de seus orgulhos era o de ser o campeão de recolhimento de chupetas. Entre tantos fãs, um deles adotou até seu nome, o jogador Careca, ex-atacante da seleção brasileira, que ganhou o apelido por ser fissurado pelo artista quando era menino.

MODERNO
Tanto o jogador quanto qualquer outro adulto, ou mesmo os já idosos nos dias de hoje, ainda ouvirão muitas vezes o bordão do palhaço George – “Hoje tem marmelada?” e “Ai, ai, ai, carrapato não tem pai” – uma vez que está em curso a criação de um aplicativo para celular com brincadeiras infantis a partir das presepadas do Carequinha.

Os responsáveis pela ideia são os pesquisadores cariocas Júlio Diniz e Beatriz Damasceno, que também concluem a biografia do artista além de trabalharem numa exposição itinerante que começa a correr pelo Rio de Janeiro em setembro, apresentando cerca de 150 objetos do palhaço. Há ainda um site a oficial a ser lançado. E nada parece muito para aquele que alegrou tanta gente por tanto anos. Tá certo ou não tá?

CIRCO – Conforme as filhas do Carequinha – Marlene Savalla Gomes, de 69 anos, e Silvia Christina Gomes, 54 – reveleram aos pesquisadores de sua biografia, o nascimento do palhaço, em 18 de julho de 1915, já trazia algo de folclórico. Elas contam que sua avó, a trapezista Elisa Savalla, fazia sua performânce com nove meses de gestação no circo do pai José Savalla, em Rio Bonito (RJ), quando sentiu as contrações do parto. Após o número, levaram-na ao camarin e ali mesmo o Carequinha veio ao mundo.

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