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Festivais

79º Cannes (2026) – Le Corset

Animação ainda é uma ‘avis rara’ em Cannes.

Por Ivonete Pinto | 20.05.2026 (quarta-feira)

O espaço para animações na competição oficial é recente. O próprio curador, Thierry Frémaux, há mais de 20 anos à frente do festival, admite que não costuma selecionar animações e atribui a ausência à existência de Annecy, também na França, maior festival de animação do mundo. Soa um tanto como desculpa, mas outros festivais acabam tendo o mesmo procedimento quando tendem a ignorar animações. Na competição oficial desta 79ª edição de Cannes, Le Corset (FR, BE, 2026) , de Louis Clichy, é a prova de que uma animação pode contar histórias tão bem quanto uma live-action. Com a vantagem de, por sua natureza, poder tornar concretas imagens fantásticas, delirantes e difíceis — ou impossíveis — de reproduzir em filmes não animados. E Le Corset, mesmo na maior parte do tempo operando em um registro realista, dá asas à imaginação de seus personagens.

Em Le Corset, um garoto obrigado a usar um colete de aço enfrenta o isolamento, a descoberta de si mesmo e a dificuldade de encontrar afeto dentro da própria família.

Uma família da área rural da região de Beauce vive da produção da fazenda, onde um velho trator tem função importante. O protagonista de Le Corset é Christophe, um garoto de 8 anos na primeira fase do filme e 13 na segunda. Quando ele sofre um acidente, caindo do trator, a família resolve investigar por que o menino está sempre torto. Os exames apontam um desvio da coluna que o faz pender todo o tempo para um lado. Ele sequer consegue sequer tirar uma foto no colégio. A solução é usar um colete de aço, com uma estrutura pesada, que ele só pode tirar para dormir.

Se antes Christophe já era estranho, com o colete fica mais isolado na escola. Ele é o outro, o diferente. A única colega que conversa com Christophe é uma menina um pouco mais velha e cheia de personalidade. Além dela, a tábua de salvação dele é o órgão da igreja, que ele toca bem. Incentivado pela amiguinha, fará tudo para participar de um concurso como organista mirim.

Nesta história de superação, que atinge públicos de todas as idades, Christophe também enfrenta outro desafio, relativo ao pai, um homem rude, incapaz de demonstrar afeto. Clichy, que dirigiu dois Asterix (2014, 2018), assina um roteiro com enredo enxuto, engraçado e envolvente, por meio de uma animação 2D de traços simples. Embora bem aplaudido ao final da sessão, dificilmente sairá premiado da mostra Un Certain Regard, na qual concorre. O maior prêmio é ter sido selecionado e, com isso, obter visibilidade internacional que raras animações alcançam.

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