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Festivais

1º CineÓrfão (2018) – apresentação

Cinema sem pai nem mãe, mas com endereço certo: o Cine Rosa e Silva (Recife).

Por Luiz Joaquim | 11.10.2018 (quinta-feira)

– na foto (divulgação) acima, os produtores do CineÓrfão: Felipe Berardo, Heitor Vilar e Miguel Duarte.

Estar atento aos primeiros passos de um evento cinematográfico e sempre precioso pois, assim, anos mais tarde, para o caso de tal evento comprovar sua longevidade, teremos parâmetros para fazer uma análise curiosa sobre sua trajetória. Em Pernambuco teremos, amanhã (12), o nascimento da mais nova mostra de cinema do País. É o 1º Festival CineÓrfão de Cinema sem País, ou apenas, CineÓrfão.

Curioso desde seu nome de batismo, o CineÓrfão é também curioso na história de sua fundação. Tendo como pai três jovens amigos – Felipe Berardo, 21 anos; Miguel Duarte, 18; e Heitor Vilar, 21 -, o festival divide-se em dois programas: a Mostra de cinema sem pais (para filmes que não foram aceitos em outros festivais) e a Mostra de cinema livre (para filmes de qualquer categoria).

O CineÓrfão divide-se também em dois encontros. O primeiro, às 19h30 de amanhã (12/10), será no espaço OCA – rua do Bom Jesus, 172, 5º andar, Bairro do Recife – e vai apresentar 17 filmes (dez obras do programa Cinema livre e sete do programa Cinema sem país). A sessão de amanhã é para convidados, com OCA disponibilizando toda sua capacidade de 35 ocupantes.

O segundo encontro será às 20h30 de 23 de outubro no Cine Rosa e Silva (av. Rosa e Silva, 1460, Aflitos, Recife). Esta sessão será aberta ao público, tendo seu ingresso vinculado a doação de alimento não-perecível, roupas infantis ou brinquedos, que serão remetidos pelos produtores do CineÓrfão para um orfanato.

Na sessão do Cine Rosa e Silva, nada de amadorismo. Os filmes serão exibidos no formato digital profissional, DCP (o mesmo dos filmes na programação tradicional do Rosa e Silva), com a programação – de sessão única com cerca de 100 minutos – contemplando oito títulos: dois filmes eleitos como os melhores e duas menções honrosas escolhidos a partir da sessão de amanhã (na OCA), e dois títulos produzidos pela ORFA, produtora dos três amigos, entre outros filmes a serem definidos.

A CRIAÇÃO – Amigos desde a época em que estudavam no ensino médio (e isso nem faz tanto tempo), Felipe e Heitor sempre foram interessados por cinema. Tanto que o primeiro estuda hoje no 4º período do bacharelado em Cinema e Audiovisual da Aeso, tendo o segundo também estudado no mesmo curso, mas depois migrado para Jogos Digitais na Universidade Católica de Pernambuco.

À dupla uniu-se em 2014 (mais precisamente numa sessão do filme Interestelar) o mais jovem dos três, Miguel, que hoje cursa Design na UFPE. Poucos anos depois, o trio viria a criar a ‘ORFA Criação’, uma produtora coletiva cuja multidisciplinaridade é o valor central. “Não é porque não estudo cinema que não posso fazer cinema”, contextualiza Miguel.

Desde sua criação, a ORFA desenvolveu alguns projetos audiovisuais, entre eles o curta Deep dive, de Pedro Arruda, que chegou a competir na programação oficial, em maio último, do 22º Cine-PE: Festival do Audiovisual.

Foi quando, há cerca de seis meses, o trio começou a pensar o que os separava das produtoras que faziam mostras e festivais de cinema. O dinheiro, logicamente. Mas, ainda assim, realizar uma mostra não estava tão longe deles, desde que houvesse o lugar e equipamento para fazê-la acontecer.

“Começamos a estudar regulamentos e fichas de inscrição de vários festivais e lançamos a nossa ficha na Internet dia 2 de agosto. Chegamos a um total de 394 inscritos, entre longas e curtas, do país inteiro e ainda do exterior, como é o caso de um filme espanhol, feito por uma produtora brasileira”, revela Felipe.

E continua: “Há filmes inclusive que se inscreveram para o CineÓrfão e, depois de inscritos, acabaram sendo selecionados para outros festivais, como Tipo sangue, de Lucas Fratini, que exibiu na 2ª Mostra Internacional de Cinema de São Luiz”, – que encerrou semana passada.

Já Heitor conta que, mesmo sem definições estabelecidas, o grupo decidiu a data do evento para 12 de outubro (vinculando o festival ao dia das crianças) porque “com essa pressão imposta por nós mesmos, não tínhamos como ficar adiando o festival”.

“Queríamos colocar os filmes numa sala de cinema e fomos atrás do Moviemax porque é a sala que hoje no Recife exibe os melhores filmes autorais”, opina Miguel, e continua brincando: “Das salas que tem ‘X’ no nome [referindo-se à empresa ‘Moviemax’, que administra o complexo] é a que tem a melhor seleção de filmes”, opina Miguel.

Com a família de Heitor como ponte para chegar ao empresário Paulo Menelau, os três foram recebidos com entusiasmo e o acordo foi fechado para o CineÓrfão ganhar um horário nobre no complexo do Empresarial ETC. Um feito, para três jovens, desde já vencedores.

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